Inferindo a existência de Deus

Ótima frase do ateu-convicto Ludwig em seu blog:

"Não conseguimos observar electrões [eléctrons] directamente. Apenas os podemos inferir como explicação para o comportamento dos detectores, circuitos electrónicos, átomos e moléculas, etc. Mesmo que Deus fosse tão fugidio como um electrão [eléctrom] devía ser possível inferir a sua existência observando os efeitos das suas acções."
Meu artigo sobre este tema ainda estava na mente.

Deus existe pelo próprio fato que consigo inferir sua existência observando os efeitos de suas acões em minha vida - sem contar na de outros ao meu redor! Não preciso acrescentar nem mudar nada ao ponto-de-vista 100% ateu!

Adoro verdades que saem espontaneamente!

Vale lembrar:

“Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração.” (Jeremias 29:13)

Tiago Luchini · 29 Nov 2007 · spiritual

Encontre o que procurar

Quando você coloca na cabeca que deve trocar de carro, passa a notar todos os carros que aparecem na sua frente. É só decidir qual modelo comprar que, de repente, parece que encontra aquele modelo nas ruas o tempo todo. Você nunca tinha percebido que tanta gente gostava daquele modelo.

O mesmo acontece com vários outros bens: resolveu reformar a casa? Pode perceber que vai reparar em todas as casas ao seu redor e vai automaticamente notar várias que estão em reforma no caminho para o escritório e que você nunca havia notado antes.

Isso é uma característica humana. Faz parte da nossa natureza sensorial: fomos criados para notar e perceber só partes extremamente limitadas do universo que nos cerca. Somos bombardeados o tempo todo com milhões de informacões sensoriais e simplesmente ignoramos boa parte delas porque elas não nos parecem úteis naquele dado momento.

Em cada movimento que fazemos, por exemplo, nossas células táteis do corpo são estimuladas pela roupa que vestimos. Mesmo assim não é por isso que sentimos estes estímulos o tempo todo. Na verdade, até esquecemos da roupa depois que a vestimos. O corpo simplesmente se acostuma com o fato de estar vestido e nosso cérebro passa a ignorar os estímulos táteis.

Assim que colocamos o nosso foco em algo novo ou diferente passamos a encontrar mais e mais indícios daquilo que nossas mentes estão procurando. Seja um carro, uma casa ou uma explicacão qualquer para o universo: se procurarmos, encontraremos.

Pessoas que procuram suas respostas na ciência deixarão de enxergar ineficiências ou incongruências nas suas teorias porque a busca pelas respostas em si só é mais importante do que a verdade. Além disso, uma teoria incompleta é cientificamente sempre melhor do que não ter nenhuma hipótese.

Igualmente acontece com as pessoas que procuram respostas em religião X ou Y. As respostas simplificadas e muitas vezes ritualizadas das religiões sobrepõe as verdades fundamentais. Um ritual qualquer ou argumentacões infundadas acabam obscurecendo mais do que iluminando.

Estes dois extremos me irritam porque ambos estão igualmente certos e igualmente errados. Certos porque possuem o direito fundamental de acreditarem e buscarem respostas do jeito que desejam e errados porque estão tão focados em seus micro-problemas que deixam de perceber outras variáveis externas que mudariam suas idéias.

Durante anos, por exemplo, coloquei minha mente na idéia de que a ciência tinha a resposta para muitas senão quase todas as coisas. Nesta linha, discussões sobre evolucionismo por exemplo, sempre me suscitavam a certeza absoluta de que o homem é resultado do acaso e da evolucão direta de algum mamífero peludo. Minha mente estava alinhada nessa rota e qualquer evidência ou semi-evidência era tão clara quanto a água. Era nisso que eu queria acreditar e meu cérebro ignorava qualquer estímulo que fosse contrário a isso.

Quando deixei de colocar meu foco nessa linha e resolvi aceitar teorias alternativas comecei a ter certezas diferentes. A hipótese do evolucionismo passou a ser tão ridícula quanto acreditar que a terra é quadrada e as evidências comecaram a se voltar contra a própria hipótese.

Em outras palavras, o simples fato de buscar outras explicacões fez com que meu cérebro parasse de ignorar certos estímulos e passasse a ignorar outros.

Meu cérebro ignora automaticamente boa parte do que é publicado como “cientista X comprova Y” ou “segundo especialista W, a teoria Z foi comprovada”. A mídia quer leitores e as pessoas gostam de ler sobre especialistas e cientístias lá longe, na Suécia geralmente, que dizem ter chegado à qualquer conclusão sobre qualquer assunto. Mesmo que não sejam conclusões ou que não sejam nem os assuntos de estudo envolvidos.

De outra feita, olhava pela Janela do avião hoje cedo para a escuridão do pólo norte do lado de fora. Embora muito frio e escuro, a neve branquinha cobria muito do chão, das casas e das árvores. Sempre que vejo uma cena assim, vejo claramente a evidência da habilidade criativa de Deus e do seu carinho para conosco.

O escuridão do pólo é deprimente e assustadora - some-se a isso o frio de lascar. Mas Deus criou uma neve branca e fofa para aliviar; para lembrar da sua pureza e da sua salvacão. A neve poderia ser preta ou marrom ou ainda cheirar mau ou ter espinhos, sei lá! Só sei que o acaso não seria tão generoso quanto Deus é. Eu não poderia esperar que o acaso fizesse a neve ser algo tão bonito e luminoso.

E com a mente no acaso enquanto apreciava a paisagem do lado de fora lembrei de todos os matemáticos e estatísticos que concordam que o acaso, em si só, é totalmente insuficiente para explicar a teoria evolucionista. Ou, em outras palavras, que não adianta ficar achando fóssil e inventando teorias porque é simplesmente impossível do ponto de vista estatístico que o evolucionismo esteja correto.

Isso os evolucionistas ignoram, assim como o fazem com várias outras evidências. Deveríamos buscar mais esses momentos contemplativos da natureza do que tentar provar uma teoria limitada.

Tudo aquilo que você procurar, isso vai achar. O que você está procurando?

Minha dica está nas próprias palavras de Deus na Bíblia:

“Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração.” (Jeremias 29:13)

Tiago Luchini · 28 Nov 2007 · spiritual

Igreja e elementos culturais

O amigo Ebeneser Nogueira traz em seu blog o ótimo artigo "Por que os crentes brasileiros desprezam elementos culturais?"

Ele nos relembra como muitas vezes jogamos a água suja da banheira junto com o bebê quando o assunto é integrar elementos culturais brasileiros nas igrejas.

Vale a leitura ao som de um bom baião.

Tiago Luchini · 2 Nov 2007 · spiritual

Seria legal morrer...

Comentava com amigos sobre os desenvolvimentos dos meus estudos da língua finlandesa e como eu gostaria de aprender pelo menos mais uma língua depois do finlandês.

Não gosto de pensar no fato de ter nascido para falar apenas duas ou três línguas, acho que, mesmo que além das minhas capacidades, quatro ou cinco são números mais interessantes. Mas, na pressa, acabei escrevendo assim:

“Seria legal morrer um dia sabendo falar quatro línguas.”

Primeiro, não sei se seria tão legal assim morrer. Deve doer. Segundo, não sei se quatro línguas vão fazer alguma diferenca no céu - espero que não.

Agora é interessante pensar assim. Veja que muitas vezes nos esforcamos ao máximo pelos bens e demais coisas terrenais que nos cercam e esquecemos o quão superficiais eles são. Ficamos anos juntando trocadinhos para comprar um carro e prezamos muito aquele automóvel adiquirido. Mas se colocarmos nesses termos:

“Seria legal morrer um dia tendo comprado um carro.”

As coisas mudam um pouco de figura. Se pudesse escolher entre a primeira afirmacão da sentenca ou a segunda qual você escolheria?

Claro que as coisas não são assim tão binárias no mundo mas essa minha “falha de comunicacão” me fez lembrar das palavras de Jesus registradas em Mateus 6:19:

“Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam.”

Tiago Luchini · 26 Oct 2007 · spiritual

Lógica, observação e conclusão errada

Na ficção entitulada “Razão”, Isaac Asimov nos introduz o robô QT-1 carinhosamente apelidado de Cutie.

Construído para operar uma estação de captação de energia solar, Cutie desenvolve uma naturza filosófica e se recusa a acreditar que seres inferiores como os humanos tenham a capacidade de criar criaturas superiores como os robôs ou ele próprio.

Powell e Donovan, os dois cientistas responsáveis, tentam convencer o robô do contrário de todas as maneiras possíveis. Pedem que Cutie leia todos os livros da biblioteca e, por final, montam até mesmo um outro robô em sua presença só para mostrar que podem e sabem fazê-lo.

Cutie, entretanto, se mantém irredutível. Cada prova que lhe é apresentada acaba sendo moldada e encaixada na sua convicção pessoal absurda de que o conversor de energia da estação solar é o grande criador do universo.

O robô é uma máquina lógica e faz uso apenas dela e das observações que realiza para chegar as suas conclusões. Mesmo que suas conclusões sejam absurdas e incorretas, cada observação que realiza, cada evolução lógica que opera, o leva para mais próximo daqueles postulados centrais que ele tinha induzido inicialmente. Todos errados.

Nem com a demonstração clara e empírica de que Donovan e Powell eram os criadores dos robôs, Cutie se convence. Sua lógica e suas observações falam muito mais alto do que a verdade que está apresentada nua e crua na sua frente.

Isso me lembrou os céticos e ateus de plantão. Nem que Deus descesse dos céus e provasse sua existência os ateus e céticos acreditariam. Suas lógicas e observações limitadas do universo levariam às mais diversas conclusões mas não à real verdade.

E, por falar em verdade, na verdade Deus desceu dos céus há cerca de 2000 anos atrás, provou sua existência e explicou seu plano e vontade para nós. Que usem das lógicas que queiram, não serei cego à realidade como Cutie foi.

Isaac Asimov, ateu até a morte e escritor de centenas de artigos científicos e ficções nos relembra, em seus últimos escritos antes de morrer, um princípio básico do Cristianismo:

“Eu acreditaria em um Deus que salvasse as pessoas baseado na totalidade das suas vidas e não no padrão da sua língua. Eu acho que ele preferiria um ateu honesto e correto a um pregador na TV que só sabe falar Deus, Deus, Deus e agir em imoralidade, imoralidade, imoralidade.”

O meu Deus salva as pessoas pela totalidade das suas vidas e Ele mesmo prometeu isso! Em pessoa! Palavras da sua própria boca:

“Todo aquele que vier a mim, de modo nenhum, o lançarei fora.” (João 6:37)

“Eu Sou o Caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6)

Tiago Luchini · 26 Oct 2007 · spiritual

Palavrinhas Indigestas

Com frequência me impressiono com o efeito que determinadas palavras têm nas pessoas. Para mim, é normal classificar alguém claramente de medíocre - quando for efetivamente o caso - claro. Medíocre é alguém que aceita um resultado mediano, vive na média - nada a mais e nada a menos. Isto foi exatamente o que observei no meio acadêmico quando alunos objetivavam apenas a nota mínima para passar; objetivavam a média, a mediocridade.

Mas, por algum motivo, ser taxado de medíocre causa efeitos inesperados nas pessoas. Em geral, parecem levar para uma interpretação pejorativa e altamente ofensiva. Se alguém me taxar de medíocre, ficarei frustrado não por ter sido ofendido mas por não ter me destacado acima da média (e, vale lembrar, não deixa de ser uma classificação melhor do que “ruim” ou “insuficiente”).

Uma outra palavrinha que parece suscitar ânimos é a palavra “fé”. Por algum motivo histórico, cultural e religioso, encarar a palavra “fé” para muitos é um sacrilégio em si só. Realmente, uma consulta rápida no dicionário me trouxe 4 explicações de cunho religioso e 3 de cunho neutro - 33% a mais de conotações influencidadas pela religião no dicionário em questão.

Eu tento desassociar a fé do conceito 100% religioso pelo simples fato que ele traz carregado consigo uma série de preconceitos que afetam a interpretação filosófica da fé como mecanismo mental.

Embora a fé religiosa exista, a fé, em si só, é um mecanismo natural que todos nós temos para resolver os problemas que nos cercam. Todos nós - sem exceção - somos seres que se utilizam da fé para responder pequenas perguntas práticas.

Recaio sobre um exemplo natural extremamente simples e primitivo. Todo ser humano consciente sabe que, se lançar uma pedra num rio, ela irá invariavelmente afundar. Todos fazemos essa experiência quando pequenos e aprendemos a confiar na sua reprodução. Se alguém nos contar que jogou uma pedra num rio e ela afundou, sabemos que este relatório condiz com aquelas regras naturais com as quais experimentamos empiricamente.

Se outro alguém entretanto, nos narrar que lançou uma pedra num lago e ela não afundou, com certeza ficaremos em dúvida. Algo está errado nessa narração: ou nosso experimento empírico e natural está errado ou o indivíduo que trouxe a história fantástica está errado.

A fé aparece como ferramenta mental quando escolhemos qual das duas opções queremos aceitar. De um lado temos nossa experiência empírica e natural, do outro, alguém que prega dubiamente que isto pode ser quebrado. Teremos que colocar nossa fé em um ou outro.

Claro que, por sermos seres racionais e apegados às manifestações palpáveis do mundo ao nosso redor, temos a tendência imediata de colocar nossa fé nas experiências empíricas. E isto não está errado - de modo algum! Se acreditássemos em todos os malucos que proclamam coisas fantasiosas, ficaríamos igualmente malucos.

Exatamente por isso inclusive que o processo científico é baseado em provas empíricas. Sem empirismo não existe ciência. Se o maluco em questão conseguir reproduzir o experimento onde a pedra não afunda, ele automaticamente se tranforma num cenário empírico e reproduzível para futura análise.

Mas fato é que colocamos aquela área mental desenhada para resolver problemas automaticamente na posição da fé no empirismo ao invés da fé no maluco fantasioso. Sobre aqueles que tiverem a fé no maluco fantasioso - os problemas aí já são mais complicados.

Neste exemplo certamente não há dúvidas que crer na manifestação empírica faz muito mais sentido do que colocar sua fé no maluco fantasioso. Mas conforme os problemas tornam-se mais complexos, essa percepção já não é tão automática.

E nem é preciso complicar demais o problema para perceber isso. A mídia noticiou estes dias, por exemplo, um acidente aéreo na Thailândia. Qualquer pessoa que for questionada sobre o que anda acontecendo na Thailândia, comentará que 74 pessoas morreram num acidente aéreo lá. Dizemos isso porque está em toda a mídia, reportado, registrado em fotos, vídeos, entrevistas e afins. Simplesmente sabemos que um avião caiu na Thailândia.

Mas pessoalmente, poucos de nós podemos realmente provar isso de modo empírico. Eu, pessoalmente, nem sei se a Thailândia existe porque nunca fui lá. É a mesma situação da pedra: sei que a pedra afunda por que experimentei, mas não sei se aviões caíram na Thailândia porque não tive o contato empírico. Só posso saber que aviões tendem a cair, que aparentemente existe um país chamado Thailândia em algum lugar e que a mídia normalmente noticia as coisas que realmente acontecem.

Todas essas variáveis juntas me dão a certeza para assumir que um avião caiu na Thailândia mesmo que eu não tenha o contato empírico nem com o acidente, nem com o país. Um punhado de variáveis que assumo como certas e probabilidades que acumulei ao longo de outras situações fazem com que eu simplesmente saiba e tenha a fé que algo realmente aconteceu por aquelas bandas.

Conforme o nosso desenvolvimento científico, cultural e social vai ficando mais e mais complexo, nossa fé vai deslizando do palpável e empírico (da pedra que afunda porque a vimos afundar) para o provável, o confiável, o pré-estabelecido. E aqui começamos a ssumir várias coisas como certas e merecedoras da nossa fé. Assumimos que a imprenssa funciona e o que ela reporta é verdade; assumimos que autor X ou Y são confiáveis e que seus trabalhos são verdade e assim por diante.

Na ciência empírica a coisa fica ainda mais complicada. Reproduzir alguns experimentos é complicado, custoso e, não poucas vezes, simplesmente imprático. Os experimentos mais avançados da atualidade são muitas vezes reproduzidos em apenas dois laboratórios por pura limitação de recursos. Muitas vezes os dois laboratórios trabalham juntos e compartilham os mesmos dados e recursos para passar pelo crivo da reproducibilidade. E assumimos seus resultados como justificativa de fé imediatamente.

Errado? Não! Apenas natural. Faz parte da nossa natureza humana. Colocamos nossa fé nos valores e preceitos que mais nos auxiliam para resolver os problemas do nosso dia-a-dia.

Fico feliz por ser um indivíduo da pós-modernidade pois é possível resumir esta era e as duas últimas com o uso da fé:

  • idade média: fé na religião como preenchimento do vazio unificador que existia anteriormente
  • idade moderna: fé no racionalismo como ruptura do pensamento autoritário religioso da idade média
  • pós-modernidade: a ciência que ambas as fés não foram capazes de explicar a realidade satisfatoriamente

Aprecio muito o trabalho do filósofo pós-modernista Jean Bauldrillard. Ele percebe esta situação na fé que temos nos modelos que utilizamos para explicar o mundo e cita que provavelmente já não estamos mais descrevendo o nosso universo realmente como ele é. Perdemos o contato com a realidade natural e passamos a viver numa multirealidade ou multiverso.

Em um de seus trabalhos, Bauldrillard parte da estória de Jorge Luis Borges chamada “Del rigor en la ciencia”. É a estória de um reino onde um mapa foi comissionado para que reproduzisse todas as terras do mesmo na proporção de 1 para 1. Conforme o mapa foi crescendo em importância e o reino foi falindo, o gigantesco mapa precedia a real geografia do lugar. É a situação onde a imagem precede a realidade.

Bauldrillard passa então a exemplos reais onde a fé depositada na imagem produzida precede a realidade e discute a ruptura da mesma em prol de uma desilusão coletiva. Esta postura inclusive coloca Bauldrillard na contra-mão direta de filósofos mais famosos e mais aceitos como Michel Foulcault.

E por que me dei ao trabalho de explicar tudo isso? Porque muitas pessoas ainda confundem incorretamente “fé” com “fé religiosa”, muitas vezes até com alguma fé religiosa específica. A fé é a mesma ferramenta mental utilizada tanto na fé religiosa quanto na fé científica. A diferença é que estão depositadas em narrações e domínios distintos.

Embora fé religiosa possa se personificar nos detalhes e meândrios de qualquer religião causando ou não conflitos de domínio, cito exemplo da fé cristã por familiaridade.

Se por um lado a fé no empirismo natural e nas probabilidades que nos cercam nos levam a crer que é impossível andar sobre as águas por exemplo, a fé cristã e nos relatos bíblicos nos fazem crer que é possível que Jesus tenha caminhado sobre as águas.

E aqui temos uma situação onde aparentemente as duas fés se chocam. Teremos passado pelo processo da fé ao escolher qualquer uma das duas fés. Num caso, aceitamos a fé empírica, no outro a fé bíblica.

Um não exclui o outro no caso da fé bíblica. Nada impede que alguém saiba que as manifestações naturais indicam ser impossível caminhar sobre as águas mas que, a fé depositida na palavra de Deus, também dê a certeza que algo excepcional tenha acontecido naquele momento pelo próprio poder de Deus - e este poder não faz parte do domínio empírico e reproduzível da ciência.

Só faz parte do domínio empírico e pessoal daqueles que experimentam a comunhão com Ele.

Tiago Luchini · 24 Sep 2007 · spiritual

Fé e Ciência

Tenho acompanhado vários blogs escritos por Portugueses recentemente. As razões variam desde “gosto do jeito que eles escrevem” até “por uma razão física eles estão mais próximos de mim”.

Um destes blogs é o Que Treta onde um ateísta tenta se utilizar de argumentação científica para criticar religiões (ou principalmente o cristianismo católico - que me parece ser sua experiência mais próxima).

Gosto de ateístas, eles se levantam, falam, duvidam, questionam… coisas que faltam em enorme proporção na grande maioria de nós crestões e também de não-cristões.

Em algum lugar lá no fundo pensamos que, se nos questionarmos demais, estaremos automaticamente descobrindo que Deus não existe ou que alguma coisa não faz sentido e isto é uma enorme demonstração da nossa incerteza no que sabemos e cremos. Talvez porque falte fé e sabedoria é que sofremos. Aliás, um dos meus versículos favoritos foi registrado por Oséias:

“Meu povo sofre por falta de conhecimento.” (Oséias 4:6)

A grande pena é que os ateus foram ficando, para mim pelo menos, cada vez mais chatos e repetitivos conforme fui entendendo melhor o mundo (o que também é uma forma de dizer “fui ficando mais velho”). A boa notícia é que, no mundo científico, existem cada vez menos ateístas.

Fazia tempo que não parava para pensar sobre o assunto mas, relendo um de meus comentários para o autor do blog e notando a quantidade de cristões e não-cristões que se embananam, pensei que talvez mais pessoas possam se beneficiar com o que comentei. Então segue:

Ludwig,

Você se engana quando cita que fé e ciência não se misturam. Vou explicar porque.

Se engana primeiramente pelo modismo do pensamento científico que surgiu lá na renascença e durou até o modernismo mas ainda influencia a mentalidade de muitas pessoas hoje no pós-modernismo. É normal.

Fé e ciência andam tão juntas que você mesmo chegou a citar o seu processo para considerar algo como “superior”.

Você escreveu: “Mas é verdade que considero a posição contrária como sendo inferior à minha. A razão é simples: no momento em que a considerar superior, adopto-a como minha.”

O processo que utiliza-se para adotar a posição como sua é a fé em si próprio e na série de artigos científicos.

Não estou desmerecendo os tratados científicos… apenas reforço que, como eu também o faço, você tem fé nos seus conteúdos.

Você apenas possui fé em outras coisas que não são “Deus”. Em qualquer processo científico há fé no próprio processo científico.

Uma das provas irrefutáveis disso é que cerca de 90% dos tratados científicos faz referências à outros tratados que nunca foram definitivamente consultados (me falta a referência mas foi pesquisa recente). Uma comprovação tremenda na fé em outros cientistas e seus trabalhos.

Errado? Não. Apenas fé.

Aquela famosa pergunta: “se uma árvore cai numa floresta e ninguém está lá, há algum barulho?”, ilustra bem este caso.

Se você tem fé em Deus ou na física determinística, certamente acha que sim: faz barulho sim. Afinal, “Deus fez assim”, ou “assim determinam as leis de Newton e Lamarque”.

Mas o famoso Schröedinger nos deixa na dúvida. Segundo ele, a árvore não faz e nem deixa de fazer barulho. A árvore permanece em estado quântico.

E na verdade não temos como provar ou descomprovar isso, uma vez que o efeito observador da física quântica já foi provado e comprovado milhares de vezes (onde o observador afeta o resultado observado).

Isto posto, da mesma forma que lhe faltam argumentos para provar a existência de Deus, lhe desafio a provar a não-existência de Deus.

Se assim conseguir, terá seu nome realmente estampado nos anais da História pois, na exata mesma medida que é impossível provar a existência de Deus, também é igualmente impossível provar a sua não-existência.

Portanto, se você parte do princípio que Deus não existe, está automaticamente tendo fé que ele não existe na mesma proporção de alguém que tem fé na sua existência.

A fé na existência de Deus e a fé na sua não-existência são duas posturas louváveis e que não deveriam, de forma alguma, eliminar a necessidade de questionamento e busca científica.

O problema é que, se você mantém uma mente fechada na fé da não-existência incorre no mesmo erro daqueles que mantém uma mente fechada na fé da sua existência.

Tiago Luchini · 20 Sep 2007 · spiritual

Cartão de Visitas

Um senhor de 70 anos viajava de trem tendo ao seu lado um jovem universitário que lia o seu livro de ciências.

O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos.

Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

  • O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?

  • Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?

  • Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.

  • É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?

  • Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.

O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário.

Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se pior que uma ameba.

No cartão estava escrito:

Professor Doutor Louis Pasteur, Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França.

“Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima”. Louis Pasteur.

(Cartão de visitas - Fato verídico ocorrido em 1892 e  integrante da biografia de Pasteur)

Tiago Luchini · 20 Sep 2007 · spiritual

Mini-saga

Já havia escrito sobre a proximidade que o recém acidente da TAM teve de mim.

O grande amigo Paulo Franke escreve sobre a maratona física e espiritual que encarou nestes meses de Julho e Agosto passando pelo acidente da TAM in loco, pelo caos aéreo, pelo nascimento de um neto (meu sobrinho por acaso), pela morte de pessoas conhecidas e finalmente pela cirurgia com risco de vida da própria esposa.

É uma mini-saga que vale a pena ler principalmente no que diz respeito à seriedade e à fé que permearam os acontecimentos. Link direto para o artigo aqui.

Tiago Luchini · 25 Aug 2007 · spiritual

Deus, quero uma bicicleta

Bike

O amigo Ebenéser Nogueira envia a piada do comediante Emo Phillips:

Quando eu era pequeno costumava orar todas as noites pedindo uma bicicleta. Até que percebi que não é assim que Deus funciona. Então fui lá, roubei uma bicicleta e pedi que ele me perdoasse. Funcionou!

Tiago Luchini · 22 Aug 2007 · spiritual