Kevin
Encontrei essa foto e texto anexo por acidente e resolvi traduzir e compartilhar. Original no Flickr.
Andando de bicicleta hoje pela Hollywood Boulevard o vi na multidão. Notei-o instantaneamente. Quando nos encontramos disse “oi” e perguntei se ele se importaria se eu tirasse uma foto sua.
“Você quer uma foto minha?”
“Sim”, respondi, “Não há ninguém como você.”
“Eu sei.” - e sorriu para mim - mesmo que seu rosto tivesse sido evidentemente destruído por algo - e sua boca reconstruída.
Perguntei o que havia acontecido.
“Um tiro,” ele respondeu. “Um tira na cara.” - e fez gestos de uma arma disparando à curta distância apontada diretamente para o seu rosto.
“E você sobreviveu?” eu perguntei.
“Não,” ele disse com um sorriso. “Estou morto.”
Me desculpei pelo que havia sido uma pergunta idiota mas era difícil de imaginar - um tiro de uma arma - bem no rosto dele. E mesmo assim eles tinha sobrevivido.
“E o que aconteceu?” eu perguntei. “Foi um acidente ou alguém atirou em você?”
“Eu mesmo que atirei. Tentei me matar.”
“Tentou?”
“Sim.”
“Onde?”
“Arizona.”
“Phoenix?”
“Tucson.”
“Me diga, como você se sentiu após ter atirado em você mesmo - na face - e quando caiu em si - ter percebido que não estava morto?”
“Agonia. A pior agonia da minha vida.”
”…”
“Sim.”
“Que tipo de arma?”
“.30-06”
Fiquei estarrecido. Já encontrei e fotografei muitas pessoas - seres humanos que passaram por adversidades gigantescas. Lydia, que foi queimada quase à morte. Ray, quer perdeu ambos os olhos. Margaret, que pesava mais de 226 Kgs.
Mas este homem… e mesmo assim ele sorria. Eu lhe disse o que sentia:
“Deus dá a cada um uma vida diferente - e algumas pessoas recebem vidas muito, mas muito difíceis.”
“Assim sou eu. Não fica muito pior.”
Me disse que estava nas ruas. Mendigando.
Perguntei quão ruim era a situacão a ponto de querer morrer.
“Ruim. Muito ruim. O pior tipo de situacão.”
“Você vai tentar de novo?”
“Não. Tentei uma vez. Já foi o suficiente.”
Às vezes nossas vidas parecem difíceis - insuportáveis até - mas aí encontramos Kevin. Ou Lydia. Ou Ray. E percebemos novamente como temos sorte. Como muitos tem vidas realmente difíceis.
E mesmo assim ele sorria. Sorria para mim. Este homem com o rosto explodido - pelas próprias mãos. E aqui ele estava - sob a luz do sol, ouvindo música… sorrindo.
Nem mesmo sei o que dizer sobre isso. Acho que já falei…
