A educação e o sangue-negro
A educação no Brasil vai mau. Muito mau.
O presidente Lula prometeu usar o dinheiro do petróleo pré-sal para a educação. Parece uma ótima idéia considerando a praga econômica que o óleo normalmente traz aos países que o exploram em quantidade (alguém aí gritou Nigéria? Venezuela?).
Só que existem alguns entraves: primeiro que a exploração só deve começar em 2015. Segundo que há a dúvida do modelo a ser seguido (independente ou em parceria com o governo). Terceiro que a camada é de difícil acesso o que elevaria os custos de extração.
Resolver o problema da educação é algo para já, não para começar a pensar em 2015 quando um governo qualquer nem vai lembrar das promessas antigas. Ademais, dependendo do modelo de extração seguido, as margens do governo mudam drasticamente. No modelo de licenças privadas, o governo fica com pouco. Não só isso mas o custo para chegar à extração é altíssimo e, fazê-lo com sucesso, será o maior desafio tecnológico empreendido no Brasil.
Se a coisa já começa a não parecer muito simples, existe ainda um outro problema: mesmo as estimativas mais otimistas da quantidade de óleo na bacia nos colocariam, no máximo, no mesmo patamar da educação do Chile. Vale lembrar que o Chile é o único país - repito: único país - da América Latina com educação considerada mínima. A nossa está mais de 4 vezes aquém.
Para alcançar esse patamar - mínimo, vale lembrar - precisaríamos ser o 4o. maior exportador de petróleo do mundo! Alcançar os níveis de educação médio dos países da OECD requeriria que fôssemos apenas e simplesmente o maior exportador de petróleo do mundo. Nem mesmo a mais otimista das otimistas das otimistas estimativas nos colocaria nesse cenário.
Em suma: nem mesmo eliminando a nossa natureza e cultura corrupta da equação seria possível sonhar com um ensino de qualidade movido a petróleo. Transformar a maldição do petróleo em benção é uma ótima iniciativa, mas não devemos sonhar alto demais: o sangue-negro não vai resolver todos os nossos problemas.
