Total insensatez
Uma questão para testar nossos conhecimentos gerais e um pouco de matemática: suponha que um bebê hipotético e especial nasça hoje. Este bebê é especial porque sabemos que ele viverá exatos 100 anos desde a data do seu nascimento. Assumindo isso, quantas pessoas terão morrido até que ele venha também a morrer?
Antes de continuar lendo, pense um pouco a respeito disso. Afinal de contas são apenas 100 anos. Se compararmos com todo o nosso registro histórico isso não é quase nada. Durante esses 100 anos algumas guerras vão estourar, desastres naturais vão acontecer… ou seja: pessoas irão morrer. Mas quantas? 50 milhões; 100 milhões; seriam bilhões? Quantas pessoas deixarão o mundo enquanto esse bebê viver?
Por incrível que pareça é possível saber com uma boa precisão: no mínimo 6,7 bilhões de pessoas morrerão até esse bebê vir a morrer também. A conta é mais simples do que parece e só requer um pouco de lógica. Como atualmente vivemos até cerca de 80 anos com raras exceções batendo os 100 anos de idade ou mais e a população estimada da terra é de 6,7 bilhões de pessoas portanto, quase todas essas pessoas morrerão nos próximos 100 anos a contar a partir de qualquer dado momento.
Claro que existem algumas imprecisões aqui. O número pode ser maior se continuarmos aumentando a taxa de crescimento da população. O número também pode cair um pouco se conseguirmos revoluções bem drásticas na saúde a ponto de prolongar nossas vidas em 30%-50%. Mas este caso é bem improvável e uma tendência certamente anularia a outra até que alcancemos uma taxa de crescimento neutra em algum ponto.
Mesmo com essas imprecisões o número ainda é gigantesco. Quase 7 bilhões de pessoas morrerão nos próximos 100 anos! Todas as pessoas vivas agora deixarão de existir em apenas 100 anos. Olhe ao seu redor: em meros 100 anos nem você, nem ninguém que você conhece estará vivo.
Isso nos leva a outra idéia: como nossa existência é ridícula! Não só representamos individualmente um percentual infinitesimal da população como também deixaremos de existir em tão pouco tempo e, não só isso, mas também todos aqueles que existem conosco não estarão mais por aqui.
Exceto por alguns muito poucos que conseguem deixar qualquer legado positivo antes de partir, todo o resto da massa está repleta de meros passageiros.
Não posso deixar de concordar com Vinícius de Moraes que escreveu: “Às vezes quero crer mas não consigo. É tudo uma total insensatez. Aí pergunto a Deus: escute, amigo: se foi pra desfazer, por que é que fez?”
