Malidtas pipas

Sempre odiei pipas. Tomam tempo de produção e normalmente não voam porque ficaram tortas ou com algum outro defeito de fabricação que a sua inefeciente manufatura e falta de experiência impregnaram no dispositivo.

Vivi a infância num bairro residencial dominado pelas pipas durante as férias de Julho. O já simples e mau-cuidado bairro ficava ainda mais feio com aqueles restos de pipas e rabiolas pendurados nos fios de eletricidade formando um tenebroso mosaico de lixo preto escorrendo pelos céus.

Motoqueiros sofrem um risco enorme com as pipas e suas linhas repletas de cacos de vidro. Corredores de kart idem.

Numa das pistas que eu corria em São Paulo, os karts foram adaptados com uma barra vertical frontal em formato de antena para desviar eventuais linhas de pipas do alcance dos pilotos.

Esta semana um garoto de apenas 10 anos sofreu - e muito - ao correr de kart e encarar uma linha com cerol. Além da morte que evitou por poucos centímetros, teve músculos, ligamentos e até partes do osso do ombro esquerdo cortados. Corre o risco de perder os movimentos no braço e dificilmente poderá voltar aos bólidos.

Nem descerei aos problemas para o esporte. Ficando só no sofrimento da criança, a nos vários motoqueiros da cidade, eu diria que as pipas deveriam ser banidas de áreas urbanas. Sem demora!

Tiago Luchini · 17 Dec 2007