Votos de Fim-de-Ano

Oscar Wilde brinca que “a América é o único país que foi do barbarismo à decadência sem haver civilização entre um e outro”.

Fiquei recentemente impressionado ao ler que a era primitiva na Finlândia é considerada até o século 12 quando os Suécos invadiram solo Finlandês e dominaram um povo que era praticamente remanescente da era das pedras.

Essas brincadeiras com as eras são engraçadas. Muitas vezes olho para as pessoas e me pergunto se não estamos na Idade Média ao invés do Pós-modernismo. Muitos decidem deliberadamente confiar em coisas que só podem ser classificadas como puros contos-de-fadas assim como no século 15.

Mulheres que anseiam pela roupa da estação ou até pela próxima cirurgia plástica e acreditam que ficarão mais belas com isso. Homens que passeiam em seus carros esportivos de luxo acreditando que aquilo lhes trará felicidade. Crianças que fazem uma gigantesca lista de brinquedos que viram na televisão e que certamente ficarão jogados em frangalhos n’alguma caixa qualquer.

Onde antes acreditava-se que colocar oferendas aos deuses sobre uma pedra era forma de pedir por um ano melhor e consequente felicidade, hoje acredita-se que o dinheiro investido em mimos ao ego trarão felicidade. Mudamos a superstição apenas de era e de endereço.

Vale a pena lembrar: a beleza das mulheres não está na superfície, carrões não trazem felicidade e brinquedos quebram. A roupa de duas estações atrás continua linda, bicicletas são saudáveis e a criatividade continua sendo o melhor brinquedo.

O nosso marketing ocidental centenário transformou a época do natal em suprassumo deste sentimento. Quantas pessoas não saem às ruas à procura do seu presente; daquele presente que irão presentear a si mesmos?

Meus votos para este Natal são que você esqueça o conto-de-fadas do consumismo e lembre-se dos que passam fome, dos que sofrem nas guerras, das criaças sem escola, dos drogados e demais envolvidos no tráfico, dos trabalhadores em regime de semi-escravidão e de tantos e tantos outros que sofrem em nome do consumismo que eu e você mantemos e expandimos constantemente.

Que em 2008 sejamos menos consumistas.

Tiago Luchini · 16 Dec 2007