Escolas de Oulu entre as melhores do mundo
Recentes pesquisas mostram que as escolas Finlandesas são as melhores do mundo e professores que vieram do exterior para Oulu notam a diferença.
Reportagem de Dan Murphy, tradução de Tiago Luchini.
Na última terça-feira, a Organizacão para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD em sua sigla em Inglês) publicou os mais recentes resultados de uma pesquisa realizada em 57 países. O Programa para Verificação dos Estudantes Internacionais (PISA em sua sigla em Inglês) testou a proficiência de alunos com 15 anos de idade em ciências, leitura e matemática.
Alunos Finlandeses obtiveram os melhores resultados em ciências alcançando recordes históricos na pesquisa. Seus resultados em matemática e leitura foram também exceptionais. Em ambos, conseguiram segundo lugar atrás apenas de Taiwan e Coréia do Sul respectivamente.
Para Marja Peedo, professora da sexta série na Escola Internacional de Oulu, um ponto forte do sistema Finlandês é a forma como ele dá oportunidades para todos.
“Os alunos recebem todos os lápis e livros e isto dá uma base de igualdade para todos alunos,” ela diz. “Desta forma, aqueles que não tem recursos e seriam incapazes de adiquirir livros não estão em nenhuma desvantagem. Eu acredito que a igualdade é muito boa.”
Peedo, 43, nasceu na Finlândia mas cresceu na Austrália. Suas próprias filhas começaram a escola lá e ela mesma concluiu seu treinamento como professora em Brisbane. Por experiência própria ela é totalmente ciente que, enquanto para os Finlandese prover o básico como lápis e um almoço saudável pode parecer natural, esta não é, de forma alguma, a prática em outros países.
“A refeição gratuita diária também coloca as pessoas em bases igualitárias”, ela diz. “Eu sei que escolas na Austrália tentam ensinar crianças cujos pais não mandam almoço. Como você pode aprender quando está com fome?”
A Escola Internacional de Oulu provê educação completa em Inglês para crianças que tenham vivido no exterior ou cujos pais sejam bilíngues.
Diferenças de resultado entre escolas Finlandesas são mínimas. A escolha da escola responde por menos do que seis por cento da variação no resultado Finlandês enquanto que, na média dos demais países, ela é 34 por cento.
Este igualitarismo trouxe muitas críticas à Finlandia sob a alcunha que ele não encorajaria os alunos excelentes a se esforçar. Esta teoria não é suportada pelos últimos resultados nos quais quatro por cento dos alunos Finlandeses alcançaram os níveis mais altos do teste enquanto que a média de todos os demais países foi de apenas 1,3 por cento.
O crenscente interesse internacional na educação Finlandesa levou a Universidade de Oulu a lançar um programa de Mestrado em “Educação e Globalização” no ano passado. O curso tem atraído pessoas de todo o mundo para estudar lado-a-lado com os finlandeses, como por exemplo, com o coordenador do ensino primário da Escola Internacional, Kelvey Marden.
Marden, 35, leciona há sete anos desde que deixou a Inglaterra. Ele está aproveitando a oportunidade que o sistema Finlandês oferece aos professores de atualizarem suas habilidades.
A qualidade da educação dos professores é largamente considerada uma das chaves para o sucesso na pesquisa do PISA. Para lecionar na Finlândia é obrigatório um diploma de mestrado.
Marden sente que, embora as escolas Finlandesas levam o seu trabalho muito a sério, elas combinam este fato com uma abordagem informal na sala de aula que impulsiona um ambiente de melhor aprendizagem.
“Na Inglaterra, como professor, eu estou no comando e isto é mais formal,” ele explica. “Aqui é Kelvey e não Seu (Mr.) Marden. Eu posso me vestir informalmente e não existe a mesma diferença de poder. É claro que ainda estou no comando e tenho problemas de disciplina mas é muito mais relaxado.”
Imaginando quais as possíveis razões para os resultados impressionantes da Finlândia no PISA, Marden, assim como Peedo, sugerem que o sucesso educacional possa ter muito a ver com as forças do país como um todo.
“Seria o sistema social?”, ele conjectura. “Na Inglaterra existem carros lindos nas ruas que você não vê aqui em Oulu, mas todos aqui têm carro. Você não tem aqui os mesmos extremos de ricos e pobres.”
“Na Inglaterra indetificam escolas falidas mas acredito que frequentemente não são as escolas que estão falindo mas sim a sociedade.”
Marden também acredita que os professores possuem um maior status na Finlândia do que no seu país de origem. Entretanto, professores Finlandeses, mesmo todos tendo Mestrado - recebem salários menores do que em muitos países - incluindo a Inglaterra.
Gastos com educação são bem reduzidos pelos padrões da OECD. A alocação de recursos pela União reduziu de 7,9 por cendo do PIB em 1992 para pouco mais de 6 por cento atualmente.
Outras práticas que acreditam-se contribuam para o sucesso das escolas Finlandesas incluem estimular uma maior responsabilidade entre os alunos pelo seu próprio aprendizado e a crença que uma educação completa inclua o desenvolvimento da personalidade da criança e do seu comportamento moral.
A escola começa aos 7 anos. Isto é considerado tardio por padrões internacionais mas também é creditado por muitos, incluindo Marja Peedo, como um fator contribuinte.
“Minhas próprias filhas começaram na Austrália com 5 anos de idade e eu achava que isso era ok,” ela diz. “Quando vi crianças aqui começando aos 7 eu achava que elas já eram velhas demais mas depois de ter vivido e visto o sistema realmente acredito nele.”
“Ele permite que as crianças sejam crianças e não coloca pressões sobre elas para aprenderem matemática quando ainda são muito novas. Elas podem usar sua criatividade e acredito que isso seja importante para o cérebro se desenvolver.”
Existem educadores que criticam as pesquisas do PISA por serem tendenciosas e colocarem muita ênfase nas competição. Um grupo de 15 especialistas escreveu um livro criticando a metodologia do PISA e sugerindo que os resultados de diferentes países não são comparáveis.
Um grupo de organizacões de professores baseado em Geneva chamado Education International utilizou o lançamento dos últimos resultados para clarmar aos pais e políticos que lessem os resultados do PISA com um olhar cético.
O secretário Fred van Leeuwen avisou, “o PISA pode oferecer apenas uma imagem de como um grupo de estudantes responde a um conjunto de questões. Ele nao é, e não pode ser, um retrado completo de todas as nuances da educação em nenhum país.”
Mesmo que as críticas contenham alguma validade dificilmente reduzirão o holofote internacional agora apontado para a Finlândia e suas escolas com resultados extraordinários.
Publicado originalmente em 7/Dez/2007
Fonte: 65 Degrees North
Notas:
Notícia interessante sobre os últimos resultados do PISA principalmente porque foi escrita por um indivíduo que conheço, sobre uma escola que conheço, sobre cursos que conheço e pessoas que conheço. Ou seja, mais próximo de mim só se eu mesmo tivesse escrito o texto.
Sobre as críticas ao PISA elas são memoráveis. Inglaterra sempre participou do teste com receio. Na prática é muito sofrível para países com complexo de superioridade como os EUA ou a França verem seus resultados tão ruins.
Essa conversa de “os resultados não são comparáveis entre países” é rível. Visite o site do PISA, leia a metodologia da pesquisa e chegue as suas próprias conclusões.
