A Água

Recentemente escrevi um passo-a-passo indicando como é possível perceber a existência de Deus. Nele escrevi:

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<blockquote>"Durante um ano leia a Bíblia todos os dias. Faça um plano para lê-la inteiramente. Entenda e aprecie as histórias, os ensinamentos e passe a aplicá-los em sua vida com calma e paciência. Tenha uma postura humilde e de um pupilo pronto a ouvir seu tutor.

Todos os dias gaste um tempo orando a Deus mesmo que não ache necessário. Para cada ação que realizar, tenha um diálogo mental com Deus antes, durante e depois da ação.”</blockquote> Um ateu-assumido comentou o seguinte:

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<blockquote>"Eu era cristão. E fiz isso tudo. E as minhas crenças, após ter lido a Bíblia, nunca mais foram as mesmas.

Achei tudo aquilo tão monstruoso que deixei de ser cristão. Só me tornaria ateu mais tarde, mas foi ao ler a Bíblia que abandonei o cristianismo.”</blockquote> Utilizar o adjetivo “monstruoso” e ter chegado em conclusões tão opostas às previstas me fez lembrar da água.

A água é o componente mais comum e acessível do planeta Terra. Todos seres humanos, sem exceção, já tiveram algum contato com a água. Mesmo aqueles que carecem pela falta desta bebida fundamental para a manutenção da vida, acabam tendo alguma experiência com a água durante sua vida, até mesmo para manter a própria.

Aprendemos na escola que a água é insípida, incolor e inodor. Bebemos água todos os dias e sabemos o que é ser insípida, incolor e inodor. Podemos facilmente até imaginar como é beber uma água fresquinha sem nenhum sabor, sem nenhuma cor e sem nenhum cheiro.

Se por um acaso bebermos água com os olhos vendados e notarmos algo diferente no sabor ou no cheiro existe uma grande possibilidade de não estarmos bebendo água. Se, ao retirar as vendas, notarmos uma coloracão duvidosa no líquido, provavelmente não é água aquilo que estamos bebendo. Pode ser um suco ou chás: mas não é água!

Tudo isso acontece porque conhecemos a água. A água faz parte das nossas vidas diárias desde que viemos ao mundo.

Para alguns, inclusive, a interpretação dos conceitos “insípido, inodor e incolor” pode até estar bagunçada. Aquele adulto na Somália que nunca viu um copo de água livre de impurezas com certeza tem um conceito bem diferente do que a água insípida, inodor e incolor deve ser. Mesmo que esse Somaliano não conheça os atributos da água, isso não altera o fato que os atributos fundamentais dela continuam inabaláveis.

Adaptando o meu desafio ao caso da água seria como: “beba água e perceba o que é tomar algo insípido, inodoro e incolor.” Ou “chegue mais próximo de Deus e perceba a sua Graça”.

Se beber outro líquido ou tiver conceitos enviesados sobre seus atributos pode chegar em resultados bem diferentes… inclusive monstruosos. Se chegar mais próximo de outro deus ou tiver conceitos errados sobre seus atributos, idem.

Jesus se compara diretamente à água e vai além afirmando claramente ser a fonte da água da vida:

"[...] aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna." (João 4:14)
Aqueles que mergulharem nesta água saberão a alegria de estar imerso nela. Aqueles que mergulharem em outros líquidos ou não entenderem os atributos da água da vida terão resultados, no mínimo, monstruosos.

Espante os monstros da sua frente e mergulhe na água da vida. Na pior das hipóteses, vai encontrar menos monstros na sua frente.

Tiago Luchini · 10 Dec 2007