10 minutos

Pouco tempo atrás havia uma onda nos blogs que era listar quais atividades os signatários fariam se tivessem 5 minutos livres a mais por dia.

Como gosto de imaginar que o meu dia é composto por 288 conjuntos de 5 minutos onde tenho toda a liberdade de fazer o que eu quero, um conjunto a mais não faria tanta diferença.

Mas me revolta quando me roubam nacos desses 288 conjuntos por pura incompetência.

Estou tentando desbloquear um cartão de crédito. Sim, utilizei o gerúndio para dar a idéia de que é um processo contínuo. Liguei uma vez e me fizeram perguntas difícieis que não sabia responder. Esperava que perguntassem meu CPF ou RG mas não: queriam saber qual foi a última compra que realizei no cartão. Respondi que não fazia a menor idéia - o que é puro fato. Então perguntaram se eu lembrava quando havia sido a última compra - o que, é óbvio, eu igualmente não lembrava.

Concluíram empiricamente que eu não era eu. Aliás, quem sou eu mesmo? Enfim, liguei novamente e fingi ser uma pessoa normal. Funcionou e desbloquearam meu cartão. Claro que perdi 4 conjuntos de 5 minutos na brincadeira.

Agora a operadora está atrás de mim. Anda ligando para todos os meus números desesperadamente. Devem estranhar como uma pessoa insana diz ser eu ao mesmo tempo que uma pessoa normal diz ser eu. Realmente: é meio confuso.

Quando entro em contato com eles não podem me dizer nada porque não sabem quem eu sou.

E demoram 2 conjuntos de 5 minutos para chegar a essa conclusão.

O que eu faria com 5 minutos a mais por dia? Daria de brinde para a operadora do meu cartão. Eles devem precisar… e muito! Muito mais do que eu.

Tiago Luchini · 29 Nov 2007 · filosofando