Maratona
Vários motivos nos levam à fazer grandes correrias que mais parecem pequenas maratonas de tempos em tempos. A maratona que realizamos em família nos últimos dias foi totalmente proposital e voltada para um tempo divertido juntos: resolvemos passar algumas horas na Inglaterra e voltar (quase como quando paulistas resolvem fazer um bate-e-volta para uma farofa no guarujá).
Dia 1
Partimos na quarta-feira na escuridão do começo de inverno às 2 da tarde daqui de Oulu sentido ao sul do país. A temperatura tinha subido e o gelo estava derretendo combinado com muita lama, sujeira na pista e uma chuva fina e fria.
O anti-congelante do limpador de párabrisas acabou e passamos boa parte da viagem (até encontrar um posto) sofrendo com o párabrisas tão limpo quando uma fralda de bebê recém-nascido.
Foram quase 7 horas de cansaço e pressa para não perder o horário do avião. Por um erro nos meus cálculos, estávamos correndo à toa: acabamos chegando uma hora antes do vôo decolar.
O aeroporto de Tampere é sofrível. Não só é pequeno e desajeitado como se esperaria de um aeroporto de cidade pequena mas é bem mau-cuidado e pouco estruturado. A impressão é estar numa rodoviária de péssima qualidade.
O vôo de 3 horas da Ryanair é triste: o avião é barulhento (tanto em termos de motor quanto em som-ambiente) e até para tomar uma água é preciso pagar. Limpeza e beleza visual do avião também passam longe.
Chegamos no aeroporto de Stansted, próximo de Londres no início da madrugada. Tentamos nos acomodar porcamente em bancos pouco confortáveis até umas 4 da manhã quando começava a reserva do aluguel do nosso carro.
Cometeram um erro claro no aluguel do carro e me deram um bólido muito mais equipado e caro do que eu provavelmente mereceria ou que alguém, em sã consciência, me daria as chaves para pilotar depois de horas de trabalho e cansaço acumulados principalmente para dirigir do lado invertido da rua e sob chuva torrencial.
Confesso que entrar do lado errado do carro, ver os carros na contramão, num carro totalmente estranho, absolutamente perdido e com uma chuva de atrapalhar me deu um certo desconforto. Viajamos em segurança até o sul da Inglaterra para a cidade de Bournemouth com pausa para um café-da-manhã nitidamente Britânico e algumas horas de descanso dentro do próprio carro.
Dia 2
Revimos nossos grandes amigos Rachel e Adriano e seus filhos que nos receberam muitíssimo bem como sempre. Passamos ótimos momentos juntos e passeamos pela adorável cidade de Bournemouth e sua irmã menor Christchurch.
Foi muito gostoso passear por cidades que não são tão maiores do que Oulu mas que, por razões geográficas e culturais parecem tão mais movimentadas e modernas do que a primeira. Fomos até numa mercearia de um Português que vende produtos brasileiros e portugueses. Fabiana encheu a mala.
Dia 3
Partimos de Bournemouth sentido Londres. Nos confundimos muito na entrada de Londres com o trânsito. Deu para matar a saudade da confusão de São Paulo só que dirigindo do lado oposto e em ruas estreitas e mau sinalizadas.
Sofremos para achar o hotel e pudemos matar saudade do estress oriundo do trânsito e do atraso: uma delícia.
Corremos de trem e metrô até o centro da cidade depois de um suculento almoço tamanho família no KFC. Pudemos ver rapidamente a Tower Bridge e o Tower of London passando pelo novíssimo teatro às margens do Tâmisa e pelo HMS Belfast.
Encontramos com a grande Lívia no British Museum onde pudemos ver a famosa Rosetta Stone e a múmia de Cleópatra. Passeamos pelas Oxford e Regent Street com direito à parada em Picadilly Circus e terminando o dia na Trafalgar Square e seu National Gallery atrás depois de um típico Yaksoba.
Sofremos para voltar para o hotel depois de os trens começarem a rarear e algumas estações fecharem. Precisamos de algumas forcinhas extras para chegar relativamente acabados nos nossos aposentos.
Dia 4
Acordar cedíssimo para um café-da-manhã simples e uma última corrida ao centro de Londres com direito à parada no ICO (International College for Officers) onde Fabiana trabalhou ao longo de 1998 e que nos traz ótimas recordações. No caminho, a vista de fora do William Booth College - o colégio internacional de cadetes do Exército de Salvação.
De volta ao centro, corremos para as tradicionais fotos do London Eye, do Big Ben e do Palácio de Buckingham com seus soldadinhos passando também por Westminster.
Um almoço improvisado com lanches do Burger King dentro do trem de volta para arriscarmos horas de trânsito dirigindo de volta para o aeroporto de Stansted.
Depois de muito nos perder, várias correções da rota e algumas horas de trânsito disputado com os tradicionais ônibus vermelhos-de-dois-andares chegamos ao destino.
Três desconfortáveis horas de volta à Tampere pela “maravilhosa” Ryanair e chegamos de volta à Finlândia com o desafio constante de “descongelar” o carro antes de partir para casa.
Nove horas depois e chegamos finalmente em Oulu depois de sofrer lutando contra o sono na sequência de retas dos últimos 300 Kms antes de entrar na cidade.
Conclusão
Foi uma ótima viagem e pudemos não só rever rapidamente um lugar que gostamos muito 9 anos depois da última vez que estivemos lá como também pudemos levar nosso filho e ainda rever amigos do coração.
Pena ter sido tão corrido e rápido mas essas loucuras são as que apimentam a vida.
