Vista? Só se for para o mar
O boom da microinformática comecou lá pelo início dos anos 90, fim dos anos 80. Todos queriam entrar na nova onda da tecnologia. A Microsoft era o suprassumo adorado e almejado pela grande massa de seus seguidores - os micreiros.
Seu sistema operacional, o DOS, era uma cópia porqueira de outros sistemas operacionais disponíveis na época. Mas funcionava. As pessoas corriam para atualizar nos saltos quasi-quânticos que aconteciam muito rapidamente. DOS 5.0? Uma revolucão: suporte a mouse, memória extendida, undelete, unformat e tantos outros utilitários fantásticos para a época. DOS 6.33? Ajuntaram tudo que não funcionava no DOS 5 e fizeram funcionar mais ou menos: outro produto matador para a época.
Vieram os Windows. Primeiro o 3.0 para computadores monocromáticos, depois o 3.1 que funcionava em até 256 cores até chegarmos rapidamente no 3.11 que tinha um conceito bizarro batizado “rede” (que nossos irmãozinhos do mundo Unix já aproveitavam há décadas).
Sem titubear muito chegou o Windows 95. Em 1994, cópias e mais cópias já eram distribuídas. O primeiro sistema operacional da Microsoft “totalmente” gráfico.
Então a coisa comecou a desacelerar. O Windows 98 foi um sucesso vagaroso. Nada como o estrondoso 95. A sacada foi prender ao uso da web e do Internet Explorer. Mas foi devagar. A linha profissional, a partir do obscuro Windows NT 3.51 evoluiu para o NT 4.0 e depois para XP. Demorou muito. Uma eternidade se comparado com a velocidade da antiga geracão.
O XP também foi entrando devagar. Demorou a virar produto realmente de linha. Muita gente preferia a estabilidade e seguranca do Windows 2000 por exemplo (evolucão do Windows NT 4.0).
Os benefícios agregados entre migrar de uma versão para outro dos sistemas passou a ser cada vez menor. Na verdade, as pessoas passaram a ficar satisfeitas com seus resultados nas plataformas atuais e, para migrar para uma mais nova, é preciso agregar um valor muito grande que as grandes, como a Microsoft, não conseguem fazer acontecer.
Embora as diferencas de funcionalidades e capacidades de uma geracão de sistemas operacionais para a outra era extremamente palpável no passado, hoje já não é tão simples assim. Desde 1995, muitos têm migrado mais de forma orgânica (pela pura necessidade de suporte e drivers) do que necessariamente a partir de uma necessidade funcional.
A Microsoft agora tenta empurrar o Vista para os seus clientes. Não fosse o massivo investimento no mercado OEM talvez ela não tivesse conseguindo alcancar os resultados de venda atuais. Valores agregados em relacão a plataforma XP atual? Poucos: uma procura mais eficiente, telas mais bonitinhas e um melhor suporte à nova geracão de ferramentas de programacão. Claro, com um novo universo de bugs para ser resolvido também.
A própria estratégia de marketing da Microsoft teve que mudar. Ela hoje ataca o consumidor caseiro como nunca atacou. Transformou suas campanhas de marketing em enormes video-games fazendo até uma sinergia com seu console para jogos. Amarrou os revendedores ao seus sistema com contratos milhonários e que motivam a cadeia a vender seus produtos.
É só aí que você vai encontrar o Vista entretanto. As empresas acabaram de migrar para o XP com relativo sucesso. Muitas ainda aceitam o Windows 2000 ou 2003 de forma mais do que satisfatória. Necessidade para migrar? Existem poucas por enquanto mas elas chegarão de forma orgânica assim como chegaram para o XP.
A Microsoft continua vencendo a batalha até porque entende muito bem o que está fazendo tanto em termos tecnológicos mas principalmente em termos de mercado. Ela entende como o mercado funciona, percebe suas oscilacões e se adapta aos costumes e, em última instância, ao gosto do usuário.
Mas ela já não avanca como avancava na década de 90. A coisa é mais complicada hoje em dia. Existem usuários conscientes que não se deixam enganar pelos apelos comerciais da gigante de Redmond. Eles percebem que a empresa funciona com um conteúdo oco. O mundo Unix em sua personificacão de baixa-plataforma Linux simplesmente alcanca os iguais, senão melhores resultados que a caríssima plataforma Windows.
Qual o custo de uma plataforma Linux? Paciência e vontade de aprender. Tudo é diferente e, como sempre, o diferente incomoda. A Microsoft sabe disso e reinveste em conceitos já estabelecidos (muita gente reclama que o Vista é praticamente um XP de outra cor - a Microsoft acertou ao não assustar demais os usuários que interessam para ela: aqueles que não querem mudar muito).
Para aqueles que querem mudar, o universo Linux tem as portas abertas. Escancaradas na verdade.
Portanto, Vista para mim, por enquanto, só se for para o mar…
