Sobre Relacionamentos e Zoológicos
Sabe aquele sentimento que você tem quando vai ao zoológico? Sim, aquele sentimento de curiosidade e maravilhamento quando você fica observando aqueles animaizinhos exóticos realizando atividades relativamente curiosas. Entã, não sei se existe um termo para este sentimento mas eu gosto de chamá-lo de “visita ao zoológico”.
O bom deste termo é que ele se aplica à várias outras coisas que não tenham nada a ver com um zoológico ou animais per se. Você tem o mesmo sentimento quando assiste um filme que, de tão estranho, parecia que você estava fazendo um “visita ao zoológico”. Você não consegue parar de pensar que aquela sequência curiosa de cenas e acontecimentos fictícios simplesmente é como visitar um zoológico.
Os relacionamentos humanos para mim são como uma “visita ao zoológico”. Sempre foram. Simplesmente existem muitas bizarrices curiosas nos relacionamentos humanos que elevam meus sentimentos ao mesmo nível do que quando assisto macacos-prego brincando de galho em galho.
Você vê aquele macaco-prego praticamente voando de um galho remoto e conseguindo se agarrar com destreza do um outro lado bem distante e pensa: Uau! Que divertido é vir no zoológico. Da mesma forma, você vê pessoas que enganam, mentem e fingem conseguindo alcancar com destreza a atencão e o carinho de outras pessoas. Você pensa: Uau! Que divertido é viver e poder assistir isso!
Talvez por enxergar o mundo dos relacionamentos assim, sempre tive dificuldade de encaixar os relacionamentos no meu universo pessoal. Até que, depois de bater muito a cabeca, desenvolvi um método. Ele é composto de duas regrinhas básicas:
- Autruísmo: tentar sempre ser o mais prestativo e colaborativo possível com todas as pessoas sem distincão.
- Não esperar retornos: desistir de esperar que as pessoas lhe retribuam de alguma forma - na maioria dos casos - elas não o farão.
São duas regrinhas simples mas bem complicadas de se fazer. Primeiro porque somos seres que automaticamente classificamos o próximo e não conseguimos atuar de forma padronizada perante todos. Segundo que viver num mundo sem retribuicão é extremamente exaustivo.
O divertido é que a maioria das pessoas consegue viver sem se preocupar com isso. Elas vão alinhavando relacionamentos estranhos - uns saudáveis, outros nem tanto - e nunca se questionam sobre o que estão fazendo. Calculam seu sucesso automaticamente e de acordo com algum “índice de inclusão” dentro dos grupos com os quais se relacionam.
Assim como nasci míope também nasci sem a capacidade de entender o mundo assim. Meu sensor de “inclusão” veio com defeito.
O lado bom é que posso passar por tudo como um longo passeio pelo zoológico!
