Votar para quê?

Na maioria dos países democráticos do mundo existe o conceito de “eleição”. Para quem não sabe é o processo de escolher os seus representantes para ocupar cargos importantes nas administrações do governo (é bom explicar porque alguns ousam chamar de democracia até a ditadura do presidente Musharraf no Paquistão - que nunca foi eleito - diga-se).

Na maioria dos países também o voto é voluntário. Isso mesmo: vota quem quer e pelo motivo que quer. Não há o voto compulsório ou obrigatório como acontece no Brasil (o que sempre me pareceu um baita contrasenso: você é obrigado a exercer um direito - eu queria ser obrigado a exercer o meu direito de segurança social, saúde ou educação - mas parece que o governo está ocupando com direitos diferentes).

Fato é que cientistas estudam os processos de votação e tentam entender o comportamento dos eleitores. Analisaram 56.000 votações ocorridas desde 1898 e calcularam em quantas delas o voto de um indivídio fez a diferença. Descobriram que apenas 8 delas foram decididas pelo voto de um eleitor. O que isso quer dizer? Que a idéia de votar para “fazer a diferença” é apenas uma ilusão e que, na prática, fazer a diferença é estatisticamente improvável.

Os estudos vão além: em Estados onde o governo instaurou votações por correio ou pela Internet (como na Suíça) o percentual de votantes reduziu em relação ao universo daqueles aptos a votar. Os cientistas teorizam que, no fundo, todos sabemos que votar não serve para nada mas que só votamos para demonstrar para a comunidade o nosso dever cívico. O que importa é que os nossos vizinhos, amigos e parentes saibam que você foi cidadão indo às urnas - fisicamente. Quando o processo descamba para ambientes privados, você deixa de se importar.

Claro que nada disso seria visível no Brasil onde o voto é obrigatório e o povo não tem responsabilidade social mas, pensar nisso nos faz perguntar: votar para quê?

Artigo do The New York Times dessa semana que traz o assunto.

Tiago Luchini · 10 Nov 2007 · filosofando