Nossas Crianças e Jovens

War

Somos responsáveis pelo tipo de postura que transferimos para os mais novos. A atitude das gerações mais novas depende única e exclusivamente daquilo que, como mais velhos, transferimos para eles.

Embora seja uma afirmação óbvia, ela parece escapar pelos dedos da maioria dos pais e educadores. Se de um lado temos aqueles que azeitam e facilitam o caminho dos mais jovens, do outro temos aqueles que pressionam para que os jovens superem expectativas.

Pais e educadores que pregam simplificar a vida de seus educados cometem o erro de criar um mundo inexistente para as crianças. Mesmo que tentemos criar para elas um mundo de alegria e diversão sabemos na prática que não existe um mundo sem dor, sem sofrimento e repleto somente de coisas boas. O caminho da vida é uma viagem sofrível e é importante que crianças e jovens aprendam a encarar as dificuldades com tranquilidade e sabedoria.

Jovens despreparados para os problemas da vida têm dificuldades de adaptação à fase adulta. Ou acabam espanando e adaptando uma postura revoltosa desde a adolescência ou não conseguem encarar os desafios e obstáculos sem fazer uso de subterfúgios de escape.

No outro extremo existem aqueles que educam exacerbando os desafios da vida, trazendo-os bem próximos às crianças e reforçando o seu valor no seu desenvolvimento. Esta estratégia também erra por acabar sobrepondo fases. Crianças e jovens terão tempo suficiente para encarar muitos desafios e dificuldades quando chegarem na fase adulta da vida. Trazer problemas da vida adulta para suas mentes jovens causa sim um desenvolvimento precoce mas em detrimento de fases importantes da infância e juventude.

Jovens extremamente preparados para os problemas do mundo se adaptam facilmente aos problemas da vida adulta. Isto é fato. Por outro lado carecem de habilidades ou percebem vazios em determinados pontos do desenvolvimento. A capacidade lúdica por exemplo muitas vezes deixa de ser desenvolvida e às vezes até dificulta o aprendizado em fases mais elevadas do conhecimento.

Calvin

O desenvolvimento humano é algo natural e extremamente elaborado. Nossa parte como educadores deve ser a de facilitar e direcionar e não a de motivar. Transferir os nossos anseios e traumas para os nossos educados é motivá-los por causas erradas. Por outro lado, facilitar que encontrem as respostas por si próprios apontando para onde podem encontrá-las e como podem mensurar o impacto de suas decisões é fundamental (embora tão deficitário hoje em dia).

Catherine Booth, a Mãe do Exército de Salvação, sabia muito bem disso. Progenitora de uma considerável prole preocupava-se com a vida espiritual dos filhos acima de tudo e cuidava para que eles não supervalorizassem os estudos e diplomas. Sobre este assunto ela afirmou:

“Ser inteligente sem ser bom é ser exatamente o que Satanás é”.

Ter jovens adultos não-funcionais ou semi-funcionais na sociedade hoje é reflexo das posturas das gerações passadas. A qualidade dos jovens adultos do futuro recai somente nas mãos da nossa geração atual e de cada um de nós.

Tiago Luchini · 30 Oct 2007 · filosofando