O Mundo Melhor
O canal National Geographics (NetGeo) tem uma campanha publicitária que me arrepia pela sua iniciativa. Eles apresentam rapidamente algum fato improvável e em seguida estampam em letras garrafais as palavras “Think Again” (“Pense Novamente”).
Ilustram que mais pessoas morrem por ano ao comerem tubarões do que comidas por tubarões ou que uma em cada três pessoas na terra nunca falou num telefone. Depois lhe convidam a pensar novamente, a repensar certas coisas que você assume como certo.
Se você acredita que o mundo está melhorando, convido-o a seguir o conselho da NatGeo: pense novamente. Enquanto você e eu enxergamos o mundo através das diversas telas (da TV, da Internet, do Videogame, do cinema, etc) o mundo lá fora caminha em direcão ao desfiladeiro.
Pessoas abaixo da linha da miséria aumentam a cada dia, os níveis de educacão têm reduzido drasticamente, mais pessoas morrem no crime e tráfico do que em guerras, o consumo de drogas aumenta mensalmente, a quantidade de famílias destituídas não pára de crescer mesmo que as políticas públicas tentem conter os números.
Mesmo que nada disso pareca te afetar, lembre que o poder de compra da classe média tem reduzido em todo o mundo. O seu bolso tem ficado menor. Podemos não perceber isso porque as linhas de financiamento têm ficado mais acessíveis e os custos de alguns produtos de ponta tem caído (o problema do ovo e da galinha: quem nasceu primeiro?)
Robert Goodland, ex-conselheiro ambiental do World Bank Group em Washington escreveu um artigo muito interessante no The Guardian esta semana. Ele explica como boas iniciativas para auxiliar o meio-ambiente e os países pobres foram sendo gradativamente substituídas por políticas exploratórias. O artigo vale a leitura (aqui - em inglês) até porque explica como têm sido os investimentos no “desenvolvimento” brasileiro e onde eles nos colocam em termos de exploracão dos direitos humanos e destruicão da natureza.
E a grande abstracão deste sistema em que vivemos é que muitos podem discordar de Goodland e criarem um “embate” bipolar com aqueles que concordam com Goodland. No fundo nenhum dos dois lados sabe o que está acontecendo realmente lá na realidade (sim, aquela realidade láááá longe). Isso nos relembra ou não Bauldrillard? Mencão especial sobre meio-ambiente aqui.
