Pensamento Sistêmico
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Tentei trazer à mesa por duas vezes sem muito sucesso este fim-de-semana o recém-adiquirido Factory Fun. Para vencer no jogo, cada jogador precisa construir uma fábrica que seja mais eficiente e lucrativa que os demais. Para tal, aloca pequenas máquinas numa planta-baixa de uma fábrica inicialmente vazia e faz as devidas esteiras que conectam cada componente do empreendimento.
Tive muita diversão quando joguei este jogo das primeiras vezes e sua posicão subiu suficientemente na minha lista de compras a ponto de acabar comprando-o. Em tese o jogo é simples e requer apenas 3 habilidades: velocidade na análise da melhor máquina disponível, pensamento sistêmico e visão espacial.
Acabei percebendo que as pessoas acabam com dificuldade no pensamento sistêmico. Foi falha minha assumir que seria uma habilidade simples.
O pensamento sistêmico pode ser resumido em um e apenas um diagrama universal:
I -> P -> O
Onde I = Input (Entrada); P = Processamento e O = Output (Saída) - nada impede de se desenhar algo como E -> P -> S.
Um sistema é sempre composto de pelo menos um de cada desses componentes. Pelo menos uma entrada, um processamento e uma saída.
A calculadora doméstica é um exemplo: coloque uma série de números e operacões e o chip interno processa para te gerar uma saída (resultado). Mas os exemplos vão além disso: sua máquina de lavar-roupas também é um sistema. Você coloca roupas sujas, sabão, amaciante, água e energia elétrica e o sistema (lava-roupas) mistura (processa) todas estas entradas para te gerar roupas limpas (saída). Se qualquer variável de entrada estiver faltando, o resultado final pode nem acontecer ou ser desastroso (tente operar uma lava-roupas sem água ou sem sabão e vai perceber do que estou falando).
Claro que podem exister múltiplas entradas e também múltiplas saídas (como no caso da lava-roupas - água suja é uma das saídas). O processamento também pode ser decomposto em uma série de mini-sistemas que sejam interpretados em paralelo ou sequenciamente (as saídas da cada mini-sistema servindo de entrada para o próximo, por exemplo, na lava-roupas novamente, onde cada ciclo depende do ciclo anterior).
Enfim, enxergar o mundo como sistema(s) deve ser algum defeito (ou qualidade, sei lá) dos engenheiros. Pelo menos no Factory Fun não foi tão simples diferenciar saídas de entradas entre não-engenheiros.
PS: pequeno fato assustador - fui procurar na internet alguma foto para ilustrar o artigo. Como percebem, encontrei aquela ali em cima de uma fábrica altamente ineficiente. O meu maior susto foi perceber que o jogador dono da devida fábrica sou eu: esta foi a primeira vez que joguei há mais de um ano e alguém fotografou (nem lembrava do fato) e ainda publicou na internet. Que susto!! Privacidade nesse mundo já era! Uma foto onde apareco melhor está aqui.
