Faz falta?

Existem certas pessoas que não fariam a menor falta se deixassem de existir. É triste perceber isso mas ao mesmo tempo extremamente palpável no dia-a-dia.

Quem não concorda comigo no caso dos contraventores em geral? Sim, ladrões, assassinos, estupradores, políticos corruptos e afins. Se essas pessoas não existissem, alguém sentiria falta? Sem descer ao plano moral da validade da sua eliminacão eu pergunto simplesmente: você sentiria falta dos corruptos se eles fossem exterminados? Eu não.

Pessoas de coracão mole sempre lembram da coitada da mãe daquele assassino: “coitada daquela senhora; ela sim sentiria falta do filho!” são frases que os melosos usam. Eu retruco: “meus sentimentos mas a senhora não fez um bom trabalho educando seu filho, portanto, talvez esteja no mesmo barco dos que não fariam falta.” Duro? Sim, eu sei.

É muito triste pensar assim principalmente porque talvez esse grupo seja grande demais. Maior do que olhando numa primeira vista. Eu colocaria nesse grupo as pessoas que enrolam, que assumem compromissos e não cumprem, mentirosos, preguicosos e muitos, muitos outros. Os “desnecessários” seriam um grupo gigantesco que eu poderia viver totalmente sem a sua presenca.

Foi assim que surgiu o Nazismo. Um bom grupo de pessoas simplesmente olhou para os outro grupos e descobriu que eles não fariam falta.

Geralmente olhamos os nazistas como egocêntricos que louvavam a superioridade da raca ariana mas, por outro lado, o seu motivador principal era o sentimento de que os demais grupos eram totalmente expurgáveis (e coloque aqui judeus, poloneses, negros, homossexuais, mancos, vesgos e quaisquer outros grupos que os alemães da época achassem desnecessários).

É nessas horas que uma base Cristã saudável faz a diferenca ao trazer uma ética exterior (divina) para dentro desse coracão pecador (humano).

Enquanto meu coracão pensa em eliminar os desnecessários, o versículo 18 de Levítico 19 me lembra: “não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo.”

Ou quando penso nas duras palavras que muitos merecem ouvir lembro de Provérvios 15:1 “a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.”

Além disso, sempre é bom lembrar da minha própria natureza pecaminosa que me coloca automaticamente no grupo dos desnecessários em muitas ocasiões: “a minha vida está gasta de tristeza, e os meus anos de suspiros; a minha força desfalece por causa da minha iniqüidade, e os meus ossos se consomem.” Salmos 31:10.

Vou me retirar e me ajuntar com os demais desnecessários.

Tiago Luchini · 22 Oct 2007 · filosofando