Tropa de Elite
Assisti o comentadíssimo Tropa de Elite este fim-de-semana. Infelizmente ele caiu naquela categoria de filmes/coisas que dividem minha energia em iguais partes de amor e ódio.
Por um lado é um filme bem dirigido, bem editado e com um roteiro denso e bem apresentado. Único problema a criticar é a fotografia e a péssima utilizacão das câmeras (que me deixaram tonto desde a primeira cena - mesmo que esse fosse o objetivo, não me agradou).
Por outro lado é a eterna estória da desgraca brasileira: o sistema corrupto, a polícia ineficiente, as drogas, o domínio dos traficantes criminosos, blá, blá, blá. O cinema brasileiro tem melhorado e muito nos últimos 10 anos. Saiu das pornochanchadas deprimentes e entrou na linha do entretenimento mais sério.
Mesmo com essa melhoria, o cinema brasileiro tem encontrado um reduto que só posso batizar de “filmes desgracentos”. Perceba como todos nossos últimos grandes filmes são sobre desgracas: Central do Brasil, Cidade de Deus, Carandiru (isso citando só os que tive paciência de ver). Tropa de Elite entra na mesma categoria.
Sei que é a desgraca é nossa realidade e que ela inspira mas entristece ver que estamos pegando tudo que é ruim e emoldurando em arte. A pena do artista que pinta um quadro da cena que vê, não interfere na mesma - apenas a copia e registra. Ver o cinema brasileiro pintando a nossa realidade deprimente e decadente me faz lembrar que a cena vai continuar intocada e sem solucão; que melhorias estão longe de acontecer.
Acho estranho que na língua portuguesa dizemos “matar a saudade” quando queremos sanar o déficite emocional que a falta de alguém ou alguma coisa nos traz. Usar o verbo “matar” é estranho: me lembra assassinato, homicídio, etc. Penso em como posso agarrar minha saudade pelo pescoco e sufocá-la até morrer? Como posso matar minha saudade? Assistir ao Tropa de Elite foi o assassinato da minha saudade neste fim-de-semana e pelos próximos por vir.
Meu desejo era consertar o Brasil mas aí me lembro que a ganância fala mais alto no coracão de muita gente.