Tropa de Elite 2

Ok. O filme Tropa de Elite não sai da minha cabeca. Um ponto importante é que o BOPE e o personagem do Capt. Nascimento são colocados, dentro das devidas proporcões, como heróis.

Observando as piadas, comentários e outras reacões da sociedade, percebo que muita gente entendeu assim também. Nascimento é aquele homem incorruptível, enérgico e que resolve os problemas na porrada ao mesmo tempo que tem um lado suave, uma família, o desejo de sair daquela loucura, etc.  Um ótimo herói.

Mesmo assim não dá para sair da fossa com um herói assim. Vejamos porque:

  1. Mesmo sendo alguém até certo ponto incorruptível pelo sistema, Capt. Nascimento se corrompe pelo poder do grupo a que pertence e pelo seu status dentro dele. É só um endereco diferente de corrupcão mas continua sendo o mesmo processo mental que ele critica no personagem Matias quando participa da roda de baseado com os amigos da faculdade.
  2. O fato de tentar resolver na marra, na porrada e até na vinganca são formatos ineficientes e, até certo ponto, interesseiros. Para se ver livre do cargo, Capt. Nascimento está disposto a matar e torturar quem for preciso. Um interesse 100% pessoal. A sociedade que se exploda.
É a construcão de um herói tipicamente brasileiro. Vive e se mantém no sistema corrupto, pregando inocência e seguindo pelos seus objetivos pessoais.

Tá certo que não teríamos um enredo sem estes componentes mas, depois não dá para reclamar dos políticos brasileiros (aos quais a descricão de “herói” da sentenca acima se encaixa como uma luva).

Tiago Luchini · 21 Oct 2007