Ideal

“[Um amigo]… Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.”

É este um dos requisitos que o texto atribuído a Vinícius de Moraes e intitulado ”Procura-se um amigo” demanda.

Como é difícil achar pessoas que possuam ideais. Principalmente aquelas que defendam seus ideais e que, como Vinícius nos lembra, saibam que a sua perda deixará um grande vácuo. Nem vamos tão longe à ponto de falar sobre um ou outro ideal em específico: difícil é que as pessoas tenham qualquer ideal.

Vamos deixando as ondas e os modismos nos levar. Muitas vezes nem sabemos porque estamos fazendo X ou Y. Simplesmente fazemos sem motivo, sem razão e sem ideais.

Alguém fuma. “Por que fuma?” é a pergunta mais óbiva. Se uma resposta vier seguida de hesitação, saiba que o indivíduo não sabe porque fuma; não tem um motivo claro, não sabe para onde está indo. Esta discussão vai além do fato de fumar ser algo ruim ou algo bom: é a falta de ideologia que me perturba. Se o indivíduo explicar prontamente sobre seu empenho positivo à favor da indústria tabagista, temos ótimas razões aqui: a pessoa tem um propósito, ela gosta do que faz e não se envergonha em defender seus pontos.

Mas pessoas com ideais desapareceram; estão em extinção. Esse vazio que a ausência de ideais deixa deve estar sendo preenchido por outras coisas. Ou isso ou as pessoas simplesmente andam aprendendo a viver carregando um vazio de propósitos.

A mim, pretendo conseguir a cada dia repetir as palavras do apóstolo Paulo aos Filipenses:

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” Fp 1:21

Tiago Luchini · 18 Oct 2007 · filosofando