Oscar Maroni para prefeito
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Oscar Maroni é “empresário da noite” (antigamente chamávamos de “cafetão”), dono de uma casa noturna voltada para prostituição de luxo e de um hotel - logo ao lado - para abocanhar a clientela do primeiro.
Até aí normal: não é só ele que trabalha no ramo e tentar fazer uma devassa moral é uma tremenda hipocrisia por mais que eu seja contra a prostituição.
Mesmo assim alguém resolveu pegar no pé dele. Dizem que foi o prefeito Kassab mas sei lá. Interditaram o seu hotel sob o pretexto de ser inseguro para o aeroporto de Congonhas (me questiono o que fizeram com os outros 2000 pontos inseguros - inclusive obras públicas - que foram publicados recentemente) e acabaram até mandando Maroni para a prisão por formação de quadrilha e exploração de prostíbulo.
O indivíduo agora está lançando pré-candidatura para prefeitura de São Paulo pelo PT do B. Em entrevista à Folha, Maroni disse que quer transformar São Paulo no “maior pólo de convenções da América Latina” e disse que a cidade tem o mesmo potencial de Las Vegas.
Curioso é que Oscar Maroni é Psicólogo por formação e entrou para o ramo de prostituição ao trabalhar durante 6 anos com psicoterapia para recuperar casais e homens com problemas sexuais.
Sou só eu ou nada faz sentido nesse mundo?
Enfim, agora temos um canditado à prefeito com experiência pelo menos. De zona e putaria ele entende: quem melhor para comandar São Paulo? Só se um comediante se candidatasse - porque esse mundo é uma comédia!
Notas
- Já que estou estudando Bauldrillard um input interessante: ele postula que conforme a quantidade de informações aumenta, o significado diminui. Ser “cafetão” já não possui o signigicado pejorativo do passado e tendemos a posições mais neutras como “empresário da noite” simplesmente porque os pólos entre positivo e negativo, certo e errado, noite e dia, se aproximaram e se fundiram na simulacra em que vivemos.
- Eu guardaria as devidas proporções aqui. Las Vegas é um deserto danado que não tinha porcaria nenhuma até alguém resolver criar um centro de entretenimento lá (ou seria “centro de prostituição?” sei lá - veja comentário 1). Não havia nenhum potencial naquele lugar. São Paulo é um centro comercial e tecnológico mundial e não um deserto no meio do nada. Investimento na imagem exterior de São Paulo e no estímulo ao turismo deveria ser feito sim, mas até aí transformar São Paulo em Las Vegas é como transformar bolachas trakinas em cuzcuz com ovo - um não tem nada a ver com o outro.
- Bauldrillard novamente: a simulacra não existe para fazer sentido. Ela é somente um movimento circular de fatos que se retroalimentam. Coisas como “prostutiução” versus “psicologia” que poderiam soar como dois pólos opostos ou como causa e consequência (alguém procura psicoterapia por estar com problemas em prostituição e não o contrário) deixam de ser assim porque tudo na simulacra roda ao torno do mesmo eixo que é a morte do real, morte do que realmente importa.
