Demissão do Gerúndio e o "Congreço"

Meu filho está passando pela difícil tarefa de aprender três línguas ao mesmo tempo e enquanto é alfabetizado. É um esforço hercúleo principalmente por se tratarem de línguas com raízes distintas: uma latina, outra saxônica e outra finno-úgrica.

Ontem ele lia um livro infantil em português comigo. Um dos personagens tinha mania de falar “minino” ao invés de “menino”. A dúvida surgiu: “Pai, o que é ‘minino’?” e eu realmente desejei que os autores do livro tivessem feito o favor de escrever certo e amaldiçoei rapidamente as aspas.

Mas nem tudo é mau no país das palmeiras. Na minha pilha de artigos atrasados da semana, li em mais de uma fonte que o “gerúndio” foi demitido em alguma coisa do governo. Na prática significa dizer que deixariam de escrever bizarrices como “vamos estar realizando” em documentos oficiais - pelo menos.

Porém hoje, o horror estampado em todos lugares: um carimbo utilizado pelo Executivo deixou um rastro de ignorância ao demarcar “Congreço Nacional” numa série de medidas provisórias. Poderiam pelo menos ter usado “Congreço Nassional” e falar que era uma piada.

Poderiam ter feito também como uma professora de lógica minha que, de lógica, não tinha lógica nenhuma. Sempre que achávamos algum erro no quadro, ela afirmava que era uma pegadinha para ver se estávamos prestando atenção - era uma ótima estratégia.

Fato é que tenho dó do meu filho. Se por um lado ele tem esse trabalho enorme para aprender a ler e escrever em três línguas, por outro ele vai perder a capacidade de rir do “congreço”, aquele lugar “xeio de mininu mau”.

Para espairecer: coisas que nosso povo escreve I e coisas que nosso povo escreve II.

Tiago Luchini · 4 Oct 2007 · filosofando