Irmão Marrom
Fui informado pelo blog do amigo Rodrigo Castro que o artista Mano Brown foi entrevistado pelo Roda Viva da TV Cultura em São Paulo nesta última segunda-feira.
Reinaldo Azevedo escreveu um longo comentário aqui sobre o evento que batizou de “espetáculo grotesco”. Azevedo dá uma aula sobre desconstrucão de personagens, jornalismo consciente e TV pública - ou pelo menos como deveria ser e não foi.
Leitura obrigatória para quem não acredita em Papai-Noel e coelhinho da Páscoa.
Para quem, como eu, nem sabe quem é Mano Brown, vale uma explicacão. O indivíduo é um rapper da periferia de São Paulo que, por uma ótima gestão de carreira, é super-badalado pelos cosmopolitas de plantão. Aparentemente é só isso e nada mais. Depois da entrevista conclui-se literalmente (vale ler a descricão da entrevista no link acima) o seguinte:
- Mano Brown acha que os criminosos são inocentes;
- Mano Brown acha que os inocentes são criminosos;
- Mano Brown acha que Lula está certo em não entregar seus amigos;
- Mano Brown acha que bandido precisa é ser honesto com sua família e com seus amigos. O resto que se dane.
- Mano Brown está ocupando tempo numa TV pública para fazer a defesa de seus princípios civilizatórios;
- Mano Brown foi apresentado na TV pública como a voz dos oprimidos.
- A TV pública apóia e concorda com seus pontos.
É um caso interessante porque mostra boa parte dos valores invertidos que nossa sociedade Brasileira está se acostumando cada vez mais a aceitar e disseminar. E mais: defendido e apoiado numa TV pública financiada com o dinheiro do nosso bolso contribuinte exatamente quando se discute a expansão da mídia pública como ferramenta de neutralidade.
Neutralidade? Se o mano é brown nem a água é neutra!
