Eu versus Nós
Talvez por ter sempre sido alguém naturalmente muito tímido e com poucas habilidades comunicativas, tive desde pequeno que aprender observando com muita atenção os estilos de comunicação interpessoal dos outros.
Achar o meu estilo pessoal é um desafio gigantesco e um trabalho constante e inacabado. Atualmente, pareço simplesmente usar um estilo situacional: escolho o melhor estilo de acordo com o público e me importo pouco com resultados mais profundos.
Fato é que essa centralização exarcebada no EU faz com que as comunicações interpessoais virem uma coxa-de-retalhos salpicada de EUs e uma ausência ou extrema fragilidade do NÓS. Fico maravilhado quando um grupo de pessoas começa a trocar idéias e o que mais se ouve é “eu sou…”, “eu acho…”, “eu faço…” ou, o mais perigoso, “eu tenho…”. Vira uma constante reafirmação do EU deixando o NÓS ou o VOCÊ nunca tratados ou pouco construídos.
Este mecanismo da apresentação do EU funciona bem em situações introdutórias mas cansa fácil. Gosto da abordagem do VOCÊ, onde uma das partes esquece um pouco do seu EU e quer conhecer e explorar sinceramente o EU da outra parte. À partir dessa exploração, apresenta-se o seu EU pessoal como um elo facilitador para criar um NÓS.
Se esta estratégia for seguida pelos dois lados da comunicação aí temos o que chamamos de relacionamento (ou o princípio de um relacionamento - pelo menos).
Eu só queria que as pessoas fossem um pouco menos centradas nos seus EUs e criassem um pouco de NÓS. Mas tenho a noção que é um desejo inviável numa sociedade onde os relacionamentos são superficiais e mais e mais dispensáveis.
Enquanto isso, vou fazendo a minha parte.
