Fé e Ciência
Tenho acompanhado vários blogs escritos por Portugueses recentemente. As razões variam desde “gosto do jeito que eles escrevem” até “por uma razão física eles estão mais próximos de mim”.
Um destes blogs é o Que Treta onde um ateísta tenta se utilizar de argumentação científica para criticar religiões (ou principalmente o cristianismo católico - que me parece ser sua experiência mais próxima).
Gosto de ateístas, eles se levantam, falam, duvidam, questionam… coisas que faltam em enorme proporção na grande maioria de nós crestões e também de não-cristões.
Em algum lugar lá no fundo pensamos que, se nos questionarmos demais, estaremos automaticamente descobrindo que Deus não existe ou que alguma coisa não faz sentido e isto é uma enorme demonstração da nossa incerteza no que sabemos e cremos. Talvez porque falte fé e sabedoria é que sofremos. Aliás, um dos meus versículos favoritos foi registrado por Oséias:
“Meu povo sofre por falta de conhecimento.” (Oséias 4:6)
A grande pena é que os ateus foram ficando, para mim pelo menos, cada vez mais chatos e repetitivos conforme fui entendendo melhor o mundo (o que também é uma forma de dizer “fui ficando mais velho”). A boa notícia é que, no mundo científico, existem cada vez menos ateístas.
Fazia tempo que não parava para pensar sobre o assunto mas, relendo um de meus comentários para o autor do blog e notando a quantidade de cristões e não-cristões que se embananam, pensei que talvez mais pessoas possam se beneficiar com o que comentei. Então segue:
Ludwig,
Você se engana quando cita que fé e ciência não se misturam. Vou explicar porque.
Se engana primeiramente pelo modismo do pensamento científico que surgiu lá na renascença e durou até o modernismo mas ainda influencia a mentalidade de muitas pessoas hoje no pós-modernismo. É normal.
Fé e ciência andam tão juntas que você mesmo chegou a citar o seu processo para considerar algo como “superior”.
Você escreveu: “Mas é verdade que considero a posição contrária como sendo inferior à minha. A razão é simples: no momento em que a considerar superior, adopto-a como minha.”
O processo que utiliza-se para adotar a posição como sua é a fé em si próprio e na série de artigos científicos.
Não estou desmerecendo os tratados científicos… apenas reforço que, como eu também o faço, você tem fé nos seus conteúdos.
Você apenas possui fé em outras coisas que não são “Deus”. Em qualquer processo científico há fé no próprio processo científico.
Uma das provas irrefutáveis disso é que cerca de 90% dos tratados científicos faz referências à outros tratados que nunca foram definitivamente consultados (me falta a referência mas foi pesquisa recente). Uma comprovação tremenda na fé em outros cientistas e seus trabalhos.
Errado? Não. Apenas fé.
Aquela famosa pergunta: “se uma árvore cai numa floresta e ninguém está lá, há algum barulho?”, ilustra bem este caso.
Se você tem fé em Deus ou na física determinística, certamente acha que sim: faz barulho sim. Afinal, “Deus fez assim”, ou “assim determinam as leis de Newton e Lamarque”.
Mas o famoso Schröedinger nos deixa na dúvida. Segundo ele, a árvore não faz e nem deixa de fazer barulho. A árvore permanece em estado quântico.
E na verdade não temos como provar ou descomprovar isso, uma vez que o efeito observador da física quântica já foi provado e comprovado milhares de vezes (onde o observador afeta o resultado observado).
Isto posto, da mesma forma que lhe faltam argumentos para provar a existência de Deus, lhe desafio a provar a não-existência de Deus.
Se assim conseguir, terá seu nome realmente estampado nos anais da História pois, na exata mesma medida que é impossível provar a existência de Deus, também é igualmente impossível provar a sua não-existência.
Portanto, se você parte do princípio que Deus não existe, está automaticamente tendo fé que ele não existe na mesma proporção de alguém que tem fé na sua existência.
A fé na existência de Deus e a fé na sua não-existência são duas posturas louváveis e que não deveriam, de forma alguma, eliminar a necessidade de questionamento e busca científica.
O problema é que, se você mantém uma mente fechada na fé da não-existência incorre no mesmo erro daqueles que mantém uma mente fechada na fé da sua existência.
