Sujo mas profundo
Combate em mim aquela situacão entre amor e ódio quando assisto um filme que não me deixa dormir depois. Filmes de terror? De suspense? Não. Esses me dão sono - e muito sono. Falo daqueles filmes que carregam mensagens contundentes, que fazem você pensar.
Não esperava isso de Clerks. Feito praticamente de modo caseiro, financiado pobremente pelo próprio escritor/diretor (estreante no ramo - diga-se) e recheado de atores não profissionais o filme não prometia muito. Tudo se passa em duas lojas de conveniência de alguma periferia pobre dos EUA e filmado num petro-e-braco enjoativo.
A história de Dante, um dos atendentes das lojas de conveniência, se desenrola na sua frente conforme ele é chamado para trabalhar no seu dia de folga.
É uma comédia de muitos diálogos - a grande maioria deles rápidos e impulsivos. O palavreado e as situacões são carregadas de conteúdos sexuais o que faz com que a película não seja recomendada para menores de 16 anos.
O mais interessante entretanto é que o filme não é só uma comédia suja e mau-feita. Ele trata de relacionamentos, pessoas, erros, decisões, acertos… enfim, trata de forma bem realista dos problemas que precisamos resolver para viver. Inclusive dá um baile no que diz respeito ao auto-conhecimento e à insatisfacão.
Recomendo para todos com um gosto refinado e não-hollywoodiano por filmes.