Finlândia, China, internet e morte

É sabido que o governo chinês controla o tráfego e o conteúdo da Internet dos 163 milhões de usuários em seu país. Mesmo assim, toda essa galerinha se acumula nas gigantescas lan-houses com centenas de computadores para jogar on-line, acessar e-mails e ler notícias. E o vício vai longe…

Numa dessas lan-houses morreu esses dias um indivíduo de 30 anos depois de jogar 3 dias initerruptos. O governo já trata a situacão do vício como caso de saúde pública.

No seu blog, Pedro Burgos questiona como uma coisa dessas pode acontecer. Dentre suas questões, duas me chamaram a atencão: a) “Ele tinha 30 anos. O pessoal do trabalho não deu falta?” e b) “Será que a família não ligou pra ele?”

Não sou especialista em cultura oriental ou, pior ainda, asiática/chinesa mas, fato é, que esta situacão faz total sentido na Finlândia por exemplo.

Aqui nas longíquas terras do Papai-Noel e das renas, o pessoal do trabalho não nota sua falta não. E por que deveria? Não são nada incomuns os dias passados à fio sem encontrar uma viva alma no escritório. Supervisão? Gerenciamento? Trabalho em grupo? São termos tão distantes aqui quanto o remoto e exótico Brasil.

Aqui nas longíquas terras da neve e das saunas, as famílias e amigos não tem esse costume de ligar, se preocupar ou encontrar com os próximos.

Enfim, quando cheguei aqui, estranhei que as portas tivessem “buracos” para receber cartas. Quando você recebe uma carta ou o jornal o carteiro enfia o material pelo buraco da porta e a coisa cai na sua sala. Embora relativamente intrusivo, é mais prático do que “pegar na portaria” como fazemos no Brasil.

Depois de um tempo descobri o real motivo para a existência dessa processo.

Quando pessoas que moram sozinhas morrem, devido ao eventual frio e ótima vedacão das casas, o corpo pode ficar apodrecendo durante vários e vários meses antes de ser descoberto. Onde entra o buraco do correio aí? Simples! Quando o carteiro não consegue mais colocar cartas (uns 6 a 8 meses depois) é sinal que alguma coisa ruim aconteceu.

E nós brasileiros nos perguntamos: “mas e a família ou os amigos não estranharam a ausência do cara em 8 meses?” ao que um Finlandês padrão responde “hein?”

Vai ver é por isso que os Finlandeses têm tantos negócios com a China. Eles se entendem!

Tiago Luchini · 18 Sep 2007 · filosofando