O cara dos bonés
Uma diferença fundamental da transmissão da Fórmula 1 aqui na Finlândia se comparada com a mesma transmissão no Brasil é que aqui não há cortes ou reduções para encaixar comerciais. Talvez nenhuma empresa se interesse no marketing ou simplesmente a tarifa mensal que pago para ter direito à Fórmula 1 já cubra os custos de forma suficiente.
Mas o fato é que é possível acompanhar coisas tão monótonas como também interessantes. Na primeira categoria encaixam-se coisas como acompanhar os pilotos se pesando ou enxugando o suor das faces meladas. Na segunda categoria encaixam-se as conferências coletivas onde os pilotos respondem perguntas sobre as corridas sempre revelando muito de suas personalidades mais um comentário rápido em sua língua nativa o que normalmente é uma felicidade quando um piloto brasileiro está no pódio.
Entretanto, uma das coisas que mais me chamou a atenção neste primeiro ano que acompanhei a temporada por aqui é o “cara dos bonés”. O “cara dos bonés” é um indivíduo moreno, tímido e até certo ponto sem nenhuma iniciativa, vestindo sempre um paletó impecável com uma camisa azul calcinha e gravada em nó italiano. O “cara dos bonés” fica nos bastidores do pódio esperando os pilotos enxugarem o suor. Sua única atividade é entregar os bonés dos patrocinadores para cada um dos três pilotos. Nada mais, nada menos.
O curioso é que o “cara dos bonés” está sempre lá: em todas as corridas. Ele viaja o mundo inteiro para entregar bonés para três pessoas uma vez a cada quinze dias e ponto final. Ele não precisa correr risco pilotando os carros, não precisa quebrar a cabeça com as engenharias envolvidas no processo e nem se estressar com alguma posição administrativa. Ele só precisa entregar os bonés. Só isso!
Isso que é vida! Na próxima encadernação quero ser o “cara dos bonés”.