Pode alguma coisa boa vir de Brasília?

É tanta podridão política em Brasília que às vezes esquecemos de todas as coisas boas que surgem lá. Limitando-me somente aos meus amigos naturais de lá, já diria que é um dos melhores locais do mundo.

Ademais, temos grandes poetas, letristas e músicos nascidos no planalto central. Oswaldo Montenegro, o grande menestrel, toca com tanta frequência no meu iPod que se estivéssemos nas antigas fitas K7 eu já teria arrebentado umas quatro.

Gosto demais da letra e da melodia de Montenegro. Ele tem um tom triste e profundo, cheio de poesia, cheio de figuras e com construções líricas e melódicas que apertam o coração. Mesmo assim, ele não perde o humor e a simplicidade.

Ele também não tem aquela imagem criada; aquela máscara comercial. É tão humano e palpável que parece alguém próximo, algo como aquele violeiro lá da esquina que toca no bar às sextas-feiras à noite por pura diversão e entretenimento dos ouvintes.

É de seu repertório que pérolas mágicas como esta brotam com naturalidade:

Que o medo da solidão se afaste E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que lembro ter dado na infância Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade não sei.

Para finalizar essa melação, segue a letra de Condor que toca tanto no iPod e quanto na minha alma agora.

Condor (Oswaldo Montenegro)

Quando voa o condor Com o céu por detrás Traz na asa um sonho Com o céu por detrás Voa condor Que a gente voa atrás Voa atrás do sonho Com o céu por detrás

Quando voa o condor…

Ah, que que o vôo do condor no sol Trace a linha da nossa paixão Eu quero que seja mostrada no meio da rua e rolando no chão Ah, que a gente despedaçe em luz Ah, que Deus seja o que quiser Explode a cabeça com olho de bicho mas com um coração de mulher

Quando voa o condor…

Ah, se fosse como a gente quer Ah, e se o planeta explodir Eu quero que seja em plena manhã de domingo e que eu possa assistir Ah, que a miserável condição da raça humana procurando o céu levante a cabeça e ao levantar por encanto escorregue o seu véu

Quando voa o condor…

Tiago Luchini · 14 Sep 2007 · filosofando