Propagandeando o Brasil

Já escrevi bastante sobre a necessidade de “propagandear o Brasil” (aqui, aqui, aqui e aqui… ufa). Mas confesso que nunca escrevi o que isso representa na prática.

Enxergo que a propaganda de um país (ou qualquer outro lugar) precisa ser dividida em duas linhas de acões: uma externa (com o objetivo de alcancar os potenciais turistas) e outra interna (para fazer com que os turistas saiam com boas impressões do país/lugar visitado).

Iniciativas Externas

  1. Investir em mídia no exterior: várias mídias. O Brasil precisa estar estampado na mente das pessoas como uma boa opcão de turismo. Para tal, nada melhor do que aparecer com comerciais na TV, nas revistas e jornais. Tantos paisinhos menores que o Brasil fazem isso tão bem, por que não fazemos?
  2. Fazer as embaixadas e consulados agirem pró-ativamente: transformar esses “pontos de presenca” Brasileiros no exterior em verdadeiros portões para o Brasil. Criar departamentos que cuidem de divulgacão ativa e passiva das benesses do Brasil para o estrangeiro.
  3. Atuar diretamente com as comunidades no exterior:a maioria dos países consegue, através dos seus cidadões ou missões diplomáticas, realizar atividades contundentes nas comunidades do exterior (ex.: ontem recebi um convite para eventos da embaixada Italiana e hoje para um grupo de “amigos da Alemanha”; mês que vem a cidade deve parar para um fim-de-semana Irlandês - patrocinado pela Irlanda - é claro).
  4. Melhorar o conteúdo “comercializado”:sei que “bunda” e “carnaval” são produtos culturais importantes no Brasil mas, se quisermos atrair turismo de qualidade, precisamos melhorar [ou melhor, expandir] o tipo de experiência que estamos exportando. Quando aquele americano-padrão fala hoje para a esposa que quer ir para o Rio de Janeiro ao invés de Paris, a esposa não fica nada, nada feliz.
  5. Investir em mídias auxiliares:acredito que as mídias mais eficientes são aquelas que ficam “impregnadas” na mente das pessoas de forma indireta. Assistimos aqueles filmes de romance que se passam em Paris ou aqueles suspenses que passam na Londres do século passado; aqueles thrillers e vários outros temas em Nova York. Esse é o tipo mais eficiente de mídia. Mas nossos filmes rodados localmente ou são de cunho sexual (pornochanchadas) ou falam de desgracas. Quando equipes vem do exterior filmam sobre a percepcão de um estrangeiro. E ela não é boa.

Iniciativas Internas

  1. Cuidar dos pontos de entrada:atrasos nos vôos e aeroportos mau-cuidados já estragam a experiência do turista assim que ele chega no país. Sem contar o atendimento e a educacão dos fiscais e da polícia federal que beira o absurdo geralmente.
  2. Planejar a malha aérea e sua expansão (com devida acão): o turismo cresce, a demanda de vôos também e não expandimos nossa malha aérea e nem a quantidade de vôos ou o tamanho ou a quantidade dos aeroportos. Algo está errado nesta equacão. Por que alguém vindo da Europa precisa fazer escala em São Paulo ou Rio de Janeiro para ir para o Nordeste? Já não estava na hora de termos um hub lá?
  3. Melhorar o transporte público:nosso transporte público já é ruim para a maioria dos moradores locais das cidades, quanto mais para um estrangeiro. No metrô em Paris, Londres ou Nova York, estrangeiros se amontoam para conhecer a cidade. O nosso transporte público é lerdo, ineficiente e com uma malha ridiculamente pequena e/ou insuficiente. Coloque um estrangeiro na linha Leste-Oeste do Metrô de São Paulo no horário de rush e ele volta correndo para a casa dele.
  4. Melhorar as informacões turísticas:encontrar informacões turísticas no Brasil é uma aventura em si só. São poucos lugares realmente preparados para prestar informacões ao turista (seja de forma passiva ou ativa). Isto inclui não só ter pontos de informacões mas também treinar os profissionais do setor. Chegar num hotel e perguntar o que pode-se fazer na cidade e o atendente responder que não tem nada para fazer é ponto fora (e de experiência própria). Ah… e nem cheguei na necessidade de dar essas informacões em pelo menos 3 línguas: Inglês, Espanhol e Alemão.
  5. Cuidar dos pontos-turísticos e seus acessos:a maioria dos nossos pontos-turísticos são tão fraquinhos que dá vergonha. As praias em poucos anos ficam cheias de camelôs, ambulantes e trombadinhas. Os museus são antigos, mau-cuidados e pequenos. Alguns pontos são tão escondidos e fora de mão que chegar até eles já é um desafio e um perigo além da vontade do “turista-cheio-da-grana” (tente chegar num dos sítios arqueológicos mais importantes da Paraíba… depois de horas perdido no meio do mato sem informacões e numa estrada esburacada e perigosa… não lembro nem o nome do lugar - infelizmente).
  6. Melhorar a seguranca pública:exatamente; se não conseguimos fazer com que as pessoas não roubem os turistas, pelo menos podemos convencê-las de que isso é mau negócio com as punicões da lei. Com um pouquinho de forca-de-vontade e estrutura, a seguranca pública (pelo menos nos pontos-turísticos) deveria ser resolvida facilmente.
  7. Educar:acima de tudo, precisamos ter uma educacão decente. Um povo educado automaticamente já resolve todos os outros pontos acima.
  8. Ter efetivamente o que vendemos:se vendemos “alegria” nas nossas propagandas no exterior, precisamos ter “carnaval”; se vendemos “educacão”, precisamos ter um povo educado; se vendemos “tecnologia”, o estrangeiro precisa ficar abobalhado com nosso nível tecnológico; se vendemos “ordem e progresso” [sic], o turista deveria ficar boqueaberto com nossa organizacão e nosso progresso. Deu para pegar a idéia né?

E o último ponto que engloba tudo isso é:

  • Criar experiência é tudo:o turista busca uma experiência diferente que comeca desde o momento que ele sente vontade de visitar o país/lugar. A partir daí ele comeca a buscar informacões, possibilidades e vai aumentando sua expectativa e ansiedade. Depois ele passa a aproveitar na pele tudo aquilo que ansiou e leva ótimas recordacões de volta para casa. Leva de volta uma série de penduricários e souvenirs mas também uma boa e saudosa impressão.

É isso que deveríamos tentar criar.

Tiago Luchini · 12 Sep 2007 · filosofando