Inviável

Queriaescrever algo profundo. Algo que fosse além das palavras; que pudesse penetrar até as camadas mais profundas da mente e do coracão do leitor. Mas confesso que é inviável: de um lado um escritor fraco e pouco sucinto e, do outro, um público tão diverso e muitas vezes tão apressado que não conseguiria apreciar cada palavra.

Queriaser cortante como a letra da música que no bailar da melodia alfineta, toca e rasga nossa alma expondo um oceano de sentimentos. Mas confesso que é inviável. A mim, faltam vocábulos bonitos, uma melodia contagiante e um público cegamente cativo.

Queriaescrever verdades daquelas que abrem os olhos, que transformam vidas e que ficam registradas nos anais das civilizacões. Mas confesso que é inviávelpois me faltam verdades na mesma proporcão que aquelas que possuo mais machucam do que transformam.

Queriaentender menos do mundo e poder viver a felicidade austéra e plena da ignorância e da simplicidade. Mas confesso que é inviáveluma vez que já inventei de saber e só aprendi que não sei nada.

Tiago Luchini · 12 Sep 2007 · filosofando