O que você vai ser quando crescer?

Challenger

Quando perguntavam isso na minha infância eu respondia de pronto: astronauta ou bombeiro. Claro que isso foi até a explosão da Challenger em 1986. Depois desse dia só sobrou ser bombeiro mesmo.

É engracado como temos essa tendência de colocar etiquetas nas pessoas de acordo com as profissões que elas assumem. Quando perguntamos às criancas o que elas querem ser quando crescer, estamos transmitindo nossos próprios anseios à elas. Queremos que aquela criancinha linda brincando com carrinho seja um médico, juíz ou engenheiro - de preferência famosos e bem-sucedidos

E conforme aquela crianca cresce, vai se adaptando ao fato de categorizar as demais pessoas de acordo com o que elas assumem como profissão. Não só isso mas como também acrescetamos valor desmedido aos locais de trabalho: ser o contador da maior empresa do país é bem diferente do que ser o contador de uma empresa que nunca ouviu-se o nome.

Odeio títulos. Nunca gostei. Talvez seja alguma frustracão por não ser atualmente bombeiro ou astronauta. Talvez seja pelo fato que não me considero detentor de nenhuma profissão propriamente dita. Posso aceitar o título que quiserem me dar. Independentemente do título que me derem vou sempre fazer o que eu sei fazer melhor e gosto de fazer.

Por isso que considero que “ser” é diferente do que “assumir uma profissão”. “Ser” é aquilo que você é independente do resto que o cerca. É o seu cerne, seu verdadeiro ser. “Assumir uma profissão” é pegar aquele ser que já existe em todas as suas qualidades e defeitos e colocar ele para fazer alguma coisa prática.

Com os pontos-de-vista que tenho hoje, se me perguntassem o que eu queria ser quando crescer eu responderia que anseio ser alguém íntegro, amável, honesto, fiél e confiável. A profissão é só a cobertura do bolo.

Tiago Luchini · 4 Sep 2007 · filosofando