Turistas

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Quando o filme estava para estrear no Brasil, houve um certo desconforto e inclusive tentaram proibir seu lancamento no país. Fato é que, Turistas é um thriller que se passa em algum lugar incerto no litoral do Brasil (entre o Rio de Janeiro e Recife). Nele, um grupo de turistas estrangeiros (incluindo Americanos, Australianos, Ingleses e Suécos) passa por um sufoco tenebroso nas mãos de pessoas interesseiras e pouco ortodóxas.

Assisti a película esta semana e, para meu espanto, é só um thriller mais ou menos. Nem pinta um Brasil tão ruim ou tão diferente da realidade. Pelo menos a maioria dos elementos usados para o suspense nem funcionaram em mim, em particular.

Por outro lado, pelo menos as pessoas falam Português e não Espanhol como em muito filme que se passa no Brasil. Uma das personagens principais até reforca isso em uma fala. Muito bom!

Aliás, Português não falta. Fala-se o tempo todo em Português e, em apenas três cenas, há a inclusão de legendas em Inglês. Adorei isso: é mais uma prova da minha teoria que, em muitos tipos de filme (thrillers inclusive), a língua é o de menos.

Talvez o impacto tenha sido pequeno em mim por ser Brasileiro, estar acostumado com os pequeno, sujos e desorganizados vilarejos, ter sido assaltado uma dezena de vezes e já ter acampado na mata atlântica em plena chuva tropical com direito à mergulhos em águas cristalinas. São esses os componentes “assustadores” do filme.

Mas, se pensarmos no expectador casual estrangeiro, é capaz que só a chuva já o assuste. Coloque então uma caminhada semi-nu depois de ter sido assaltado no meio de um vilarejo enlameado e o indivíduo já terá pesadelos.

Em mais de 6 meses morando aqui na Finlândia vi apenas umas 2 ou 3 chuvas torrenciais. Não! Nada igual às nossas chuvas tropicais. Apenas uma rajada rápida de poucos minutos com bastante água. Na verdade, em São Paulo, chamaríamos de “garoa mais grossa” ou “pancada”. Porém são eventos por estas bandas. As pessoas correm até as janelas e exclamam: “Uau! Que tempestade enooorrrme!”

No fim das contas, todos temos apenas medo do que é estranho, do que é diferente.

Tiago Luchini · 29 August 2007