Dos Sonhos
Por pura falta de necessidade e/ou por experiências pouco prazeirosas no passado, ainda não havia explorado a biblioteca da cidade com carinho (mal havia passado da porta para ser bem sincero). Quinta passada resolvi fazer uma visita rápida e pegar um livro. Gastamos horas lá dentro.
A Biblioteca (com ‘B’ maiúsculo) é simplesmente gigantesca. Deixa o Centro Cultural Vergueiro (que era meu orgulho paulistano) no chinelo. Mesmo tirando a enorme variedade de livros, periódicos, DVDs, CDs e até LPs, ainda restam a iluminacão, a decoracão e os pontos de leitura que são mágicos. A luz do sol entra por enormes janelas de vidro temperado, deixando a cor clara das estantes e dos móveis em realce secundário enquanto você pode surfar pelas prateleiras e sentar confortavelmente em qualquer um dos centenas de pontos de leitura.
A organizacão é praticamente o que eu sonharia para uma biblioteca. Além da correta categorizacão dos materiais (o mínimo - diga-se de passagem - mas que falta em muito lugar), o acervo fica totalmente disponível para consultas tanto fisicamente como também em terminais espalhados pela biblioteca e pela Internet.
Retirar materiais é um processo de auto-atendimento em estacões com leitores de código de barras embutidos. Inserindo sua credencial, o sistema automaticamente imprime as datas de retorno dos materiais individualmente. Cinco dias antes do vencimento do empréstimo, o sistema lhe envia um e-mail e/ou uma mensagem no celular lembrando de devolver o material.
Caso queira renovar, é só entrar na internet e renovar automaticamente inserindo sua credencial pessoal. Na devolucão, uma esteira eletrônica recebe os materiais segmentando-os por categoria numa área interna restrita e emitindo um recibo de devolucão para o usuário logo na sequência.
No lobby da Biblioteca, uma enorme área abriga todos os periódicos da Finlândia e muitos do resto do mundo. É possível sentar numa das cadeiras ou sofás e ler o Times da Arábia Saudita (se conseguir ler Árabe - claro).
Em Português? Alguns materiais sim. Ontem esbarramos acidentalmente numa colecão de Hergé (As aventuras de Tintin) em algumas dezenas de línguas, inclusive o Português. Devo ler pelo menos uma história entre hoje e amanhã para o Ian.
Se quiser acessar a internet, é só reservar uma hora e usar o laboratório da Biblioteca. Não quer reservar hora? Traga seu notebook e ligue em qualquer lugar. A internet pública sem-fio da prefeitura pega muito bem na Biblioteca inteira.
Com todas estas características, fica difícil para mim não classificar a Biblioteca de Oulu como a mais fantástica das que eu já utilizei. O triste é que tive acesso às melhores bibliotecas do Brasil (a grande maioria com ‘b’ minúsculo).
Único problema limitante entretanto: o enorme volume de obras em Finlandês… claro.
