Banheiros nos Escritórios
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Em qualquer ajuntamento profissional de pessoas, vulgarmente chamado de ‘escritório’, sempre é possível encontrar uma área específica em comum. Esta área [muito temida] geralmente nem ostenta um nome em sua porta. Em geral, ao invés de um nome, ostenta timidamente um símbolo de natureza duvidável que pode ser interpretado como um homenzinho raquítico de pernas levemente entreabertas em contraposição com uma menininha igualmente raquítica adornada com uma pequena saia triangular.
Todo este mistério por detrás da simbologia utilizada para indicar os banheiros nos escritórios tem um fundamento muito simples: a cadeia de poder nas empresas. Minha hipótese é bem simples.
Todo ser humano precisa expelir os mais diversos tipos de fluídos nos 4 estados possíveis da matéria: sólido, líquido, gasoso e catotas-ranhentas-de-nariz. Para expelir estes materiais o ser humano caminha até o banheiro onde pode livremente e num nível de igualdade com os demais realizar o processo de expelicão.
A velocidade de aproximacão ao banheiro depende muito do atual estágio do material a ser expelido. Caso o material esteja em estado avancado no processo de expelicão, as pessoas tendem a caminhar muito rapidamente para o banheiro. De outra feita, materiais em estados menos avancados podem requerer uma paradinha para o café ou para leitura rápida do jornal.
Mas voltando ao ponto principal, o banheiro traz em sua natureza intrínsica a nocão de igualdade que todos os socialistas de plantão gostariam de ter. Todas as pessoas, sem excecão, precisam eliminar os mesmos excrementos nojentos e todas, sem excecão também, irão fazê-lo no banheiro. Claro que estou excluindo aqui todas aquelas culturas bizarras onde as pessoas não desevolveram a mesma nocão de ‘banheiro’ como a que nossa cultura ocidental. Mesmo assim, lá naquela longínqua tribo na Índia, os indivíduos precisam defecar hora ou outra em algum lugar.
Exatamente por isso que o banheiro acaba sendo tão mistificado e temido. Os símbolos nas portas já são aterrorizantes por si só. Nunca me identifiquei com aquele bonequinho raquítico e estranho muito menos com aquele menininho barrigudinho fazendo xixizinho num piniquinho do século passado. Em alguns estabelecimentos a criatividade vai longe e colocam coisas como “Blokes” numa porta e “Sheilas” na outra - e eu não faco a menor idéia do que isso significa - muito menos se eu estiver num estágio avancado do processo de eliminacão do material.
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Dependendo da natureza do material a ser expelido ou do seu gênero, você precisará se sentar no vaso. Geralmente os vasos ficam atrás de biombos de expessura muita fina e com portas vazadas em cima e embaixo. Nada agradável: além de todos os seus sons ficarem audíveis para qualquer outro frequentador do recinto tem sempre aquele cara que resolve conversar sobre trabalho enquanto você está se concentrado no processo de expelicão. O cara do vaso ao lado pergunta: “Tiago? É você? Como está aquele processo de migracão dos servidores?” - e normalmente o único processo na minha mente é o de expelir o material absorvido na janta do dia anterior (se a refeicão tiver contido feijão, repolho e batata-doce é capaz de o referido “cara” fugir antes de puxar conversa - confesso).
Por isso que alguns escritórios implementaram solucões radicais. Alguns criaram banheiros exclusivos para a chefia ou para um ou outro executivo do alto-escalão. A idéia é reforcar o conceito de que nem todos são iguais! Realmente, alguns são podem defecar em paz, enquanto outros não…
PS. qualquer coincidência com a realidade é meramente proposital!
