Pan dos Infernos

Esse era o título original de um artigo que acabei lendo em alguma publicação em Inglês antes de o evento ter até mesmo começado.

As reclamações do gringo por detrás do artigo eram as tradicionais: falta de segurança, desorganização, atrasos nas construções, etc., etc. e etc.

Para saber o tamanho do vexame ou do louvor que deveríamos ter, andei acompanhando os comentários pós-evento. As críticas parecem ter sido bem isoladas embora me pareça que algumas coisas foram muito frias na mídia - demonstrando que algo não estava tão alinhado como parecia.

A maioria das críticas até o momento se restrigem à:

  • Vaias: não as emitidas contra Lula mas aquelas direcionadas aos atletas. Torcer é uma coisa, avacalhar contra um profissional é outra. Entendi que o público chegou até a vaiar atletas em situações reversas demonstrando total ignorância em determinados esportes.
  • Ambiente: muitos atletas simplesmente não gostaram do ambiente. Acharam o Rio sujo, pobre e feio. Infelizmente, apenas R$ 3 bilhões não é suficiente para construir outra cidade.
  • Alimentação: também reclamada pelos atletas. Aparentemente faltou um toque de regionalização na comida servida aos atletas.
  • Desorganização 1: a venda de ingressos foi totalmente confusa. O problema se arrastou por longa data. Ficou feio para o Brasil.
  • Desorganização 2: o estádio de baseball/softball parece que foi o maior vexame. Primeiro, era um local temporário (com investimentos de R$ 3 bilhões, construir imóveis temporários me parece um mau negócio). Segundo, o lugar não contava com iluminação adequada e sofreu com o chuvas e ventos. Vários jogos precisaram ser cancelados/adiados. Ambas as variáveis totalmente previsíveis. Nota 0 para nós.
  • Mídia insossa: opinião pessoal minha. Acompanhando tudo remotamente, tive a impressão que nada de bom estava acontecendo. Três assuntos se alternavam “vaias ao lula”, “caos aéreo” e “ganhamos alguma coisa”. Nada muito especial. Senti falta de artigos críticos. Vai ver todos os críticos estavam ocupados demais com o “caos aéreo”.

Por outro lado estou feliz. Tinha certo receio que algo muito ruim acontecesse. Principalmente no que diz respeito à segurança dos atletas. Nossa desorganização seria um prato cheio para alguma ação terrorista bem alinhavada entre os terroristas internacionais e os nossos terroristas locais (comandos das favelas). Munique está nos livros de história para nos lembrar disso.

Dizer que investiram milhões em segurança e que milhares de guardas e soldados estavam nas ruas infelizmente não aliviaram meus receios.

Ainda bem que não engulimos mais um problema desses. Se algo acontecesse e tivéssemos que resolver diplomaticamente estaríamos fritos! O assessor “top-top” de Lula para assuntos internacionais e toda a cambada de diplomatas indicada por Lula nos últimos anos que não se comunica em Inglês teria que encarar mais uma crise! E vale lembrar que o “ministro-salvador-da-pátria” Jobim já está ocupado demais.

Lidar com uma crise só já está de bom tamanho para o Brasil. Ainda bem.

Tiago Luchini · 31 Jul 2007 · filosofando