Moda e Genética

Últimamente tenho tido sorte com os presentes que tenho ganhado. Por exemplo, duas de minhas camisas e uma calça foram, por várias vezes, lisongeiramente elogiadas deixando o insignificante ser que estava dentro delas [eu] morrendo de inveja.

Se por um lado é ruim não entender de moda - e confesso que não faço o menor esforço para compreender esse enigma - por outro existem pessoas que estão acopanhando isso por mim e mostrando esse serviço agregado nos presentes que ando recebendo.

Veja que além de não gastar dinheiro com um bem material que irei usar e nem com o “brand” estou economizando no custo de oportunidade de descobrir o que é socialmente correto que eu use (mesmo porque apenas uma cueca não é suficiente, como eu pensava na infância).

O último comentário que ouvi a respeito de uma camisa minha também aumentou bastante minha auto-estima. Parece que um cavalinho esquisito com um homem igualmente esquisito segurando um taco que estava bordado no bolso dessa camisa foi essencial para que uma garota dissesse que eu era muito elegante e que ela estava extremamente atraída por mim naquela noite.

Neste caso podemos notar os benefícios intangíveis dos quais eu estaria me privando por não entender de moda: minha camisa praticamente agarrou a garota sem que eu precisasse fazer nada! Exatamente igual as propagandas na televisão em que as modelos morrem de vontade de sair com caras que usam daquela marca.

Me parece uma coisa bastante razoável, pois se uma pessoa paga uma fortuna pela marca ela deve ter pelo menos alguns benefícios (melhor ainda se a marca, ou melhor, roupa for ganhada). Não sei qual a interferência no meu sex appeal daquele bordadinho, talvez seja o marketing dele, tão poderoso que deve ser capaz de alterar geneticamente as pessoas de forma que elas fiquem mais bonitas.

No momento estou convencido de que um homem não pode andar sem um daqueles pois estará correndo o risco de não se reproduzir (objetivo de toda espécie).

Uma mistura de Tio San com Che Guevara como eu não pode ter a imagem abalada se vestindo mal. Em contrapartida não tenho tempo e nem paciência para me atualizar sobre moda - então a solução que me caiu do céu foi terceirizar meu bom gosto, exatamente em datas específicas como Natal, aniversário, amigo secreto, etc.

Assim, sou socialmente aceito sem ter que me degladiar com outras pessoas no estacionamento do shopping nas noites de sábado.

Tiago Luchini · 31 Jul 2007 · comedy