Carcaças Protêicas de BMW

Acabei de ver uma reportagem de um programa de televisão que dizia que somos responsáveis apenas por abrigar nosso material genético no caminho evolutivo e que, segundo o repórter, depois que nos reproduzimos não temos mais nenhuma função na evolução da espécie.

Ahh, mas que desculpa de perdedores!!! Quer dizer que sou uma carcaça com um punhado de proteínas dentro e que quando tiver um filho já vai estar ultrapassada e pronta para apodrecer, servindo então de comida para os texugos que junto de suas fêmeas irão reiniciar o ciclo da vida?

Se esta visão está biologicamente correta, socialmente não me parece muito correta pois uma carcaça protêica dentro de sua BMW tem probabilidades muito maiores de acasalar e consequentemente de se reproduzir.

Eu diria que a ascenção social é proporcional à posição do indivíduo na cadeia alimentar, ou seja, a carcaça protêica de BMW (vulgarmente chamado de “playboy”) estará rumo ao topo da cadeia alimentar, podendo então selecionar as fêmeas com as quais se acasalar e consequentemente dando origem à descendentes melhores adaptados ao meio que, por sua vez, estarão um passo à frente na evolução da espécie.

Parece complexo para o “entendedor comum”, pois o mundo é composto por muito mais “entendedores comuns” (pessoas sem BMW) do que “bons entendedores” (possuidores de BMW) e é essa a vantagem competitiva do segundo grupo.

Porém é matematicamente comprovado que o sujeito que possui sua BMW, de preferência preta, será um discidente da espécie e estará um passo à frente no processo evolutivo. Essa é a responsabilidade genética do pessoal de marketing, que através de uma fórmula secreta (alguns chamam de propaganda enganosa), modificam o DNA de uma pessoa normal que compra sua BMW para que ela se torne irresistivelmente atraente e capaz de atrair modelos e atrizes com um simples piscar de olhos, ou melhor, de faróis.

Ainda não descobri essa fórmula secreta mas creio que se uma pessoa adiquire um produto que possui um marketing apelativo, torna-se muito feliz ao se convencer que o referido produto combina perfeitamente com seu jeito “ímpar” de ser. Isso acaba elevando sua auto-estima o que leva a um aumento na producão de adrenalina no sangue causando consequentemente um cross-over (permutação de genes) durante o processo de duplicação do material genético.

Não sei se é exatamente isso mas pelo menos tem um bom fundamento científico.

Provavelmente o repórter citado já deve ter dado sua contribuição à evolução ao ter carregado seus genes, combinado-os com os de uma fêmea (da mesma espécie) e passado a um descendente. Mas não deve ser possuidor de uma BMW preta, o que o faz servir, de agora para frente, apenas de comida para texugos.

Eu particularmente, sou egoísta demais para compartilhar meu seleto DNA com uma fêmea qualquer da espécie e portanto, só vou me reproduzir no momento em que pudermos mapear todo o material genético das mulheres e encontrarmos a  combinação que dê origem ao feto perfeito (mesmo sem BMW).

Tiago Luchini · 31 Jul 2007 · comedy