Alpiste pop

Em 1973, Raul Seixas concedeu uma entrevista ao Jornal Pasquin do Rio de Janeiro. Quando perguntado sobre o que ele realmente achava do mundo respondeu algo que explica muito o mundo de hoje, 35 anos depois:

"Peraí. Eu vou falar uma coisa aqui. Eu vou falar sobre os cabeludos. [...] Você já não sabe mais quem é quem. Tá aquela coisa de cabeludo, tá todo mundo estereotipado. Por isso é que eu faço questão de dizer que eu não sou da turma pop, que eu não tô comendo alpiste pop. Eu sei lá, eu acho que tá todo mundo de cabeça baixa, tá todo mundo schopenhauer, todo mundo num pessimismo incrível. Essa geração audiovisual, e digo isso muito maldosamente, eu chamo eles de "audiovisuaizinhos". [...] Tá todo mundo de cabeça baixa, quieto, conformado. [...] Rapaz, tá todo mundo dentro de uma engrenagem sem controle."
Para entender melhor: ele cita que desejava ser a “revolucão da revolucão” - não foi; morreu no caminho. Os “audiovisuaizinhos” revolucionaram o mundo e tomaram o controle. De lá para cá, dá-lhe mais “audiovisual/tecnologia” nas nossas vidas.

Quando instado se desejaria deixar uma mensagem para as novas geracões, Raul Seixas ironiza:

"Não, é uma juventude sadia, alegre, satisfeita, feliz e contente. Comendo alpiste. Amém."
Será que nos acomodamos com o leitinho do “audiovisual/tecnológico”? Alpiste pop anyone?

Tiago Luchini · 13 July 2007