O Maior de Todos os Mandamentos
O apóstolo Marcos nos reporta no capítulo 12 de seu livro uma sequência vertiginosa de ensinamentos feitos diretamente por Jesus. Ao proferir parábola após parábola e seguir respondendo às perguntas dos escribas e fariseus que tentavam encurralá-lo, Jesus vai derramando preciosas pérolas para nossas vidas.
Um dos escribas entretanto, percebendo que Jesus era muito mais do que um mero contraventor e baderneiro, resolveu fazer uma pergunta talvez até sincera; no versículo 28 lemos: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” Se por um lado a pergunta pode soar como uma pegadinha (afinal de contas, os Judeus criam nos dez mandamentos de forma equalitária) também pode ter um sentido simplesmente de “se eu precisasse me esforcar mais em um dos mandamentos, qual deles seria?”
Jesus respondeu indicando o primeiro dos dez mandamentos: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças.” (v. 30).
Tivesse parado por aí e a história não teria sido dividida em Antes de Cristo e Depois de Cristo. Jesus vai além e continua “E o segundo é este: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (v. 31a)
Mas o segundo dos dez mandamentos não era esse. De onde Cristo tirou essa novidade? Para complicar ainda mais, na continuacão do versículo 31, Jesus afirma: “Não há outro mandamento maior do que esses.”
O escriba fica maravilhado com a resposta e completa: “Muito bem, Mestre; com verdade disseste que ele é um, e fora dele não há outro; e que amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.” (v. 32 e 33)
Aquele estudioso da lei se dá conta da profundidade das palavras de Jesus: ele percebe que amar a Deus com todas as suas forcas e amar o próximo faz parte de um só grande mandamento que é mais importante do que todos os sacrifícios e demais prendas que pode-se querer ofertar a Deus. Jesus respondeu totalmente à sua pergunta original.
A reacão subsequente de Jesus é extremamente tocante. Ele percebe que o escriba havia entendido a mensagem de forma sábia e então lhe diz como que um bom tutor motivando seu pupilo: “Não estás longe do reino de Deus.”
O coracão daquele escriba deve ter se apertado de emocão com as palavras do Mestre. Jesus, o próprio filho de Deus, havia lhe dito que sua interpretacão estava correta e que o reino de Deus não estava longe de ser alcancado por ele. Essas palavras de apoio não tinham uma carga apenas sobrenatural mas também proviam daquele que era um grande crítico ao estilo de vida dos escribas (a própria continuacão do capítulo 12 indica isso).
Que hoje possamos, como o escriba, aprender que Deus é um só ao qual devemos amar com todo nosso coracão, toda nossa alma, todo nosso conhecimento e com todas as nossas forcas e que isso é incompleto se não amarmos os demais como amamos à nós mesmos.
Se tivermos esse esforco e consequentemente este amor, encontraremos o maior de todos os mandamentos e estaremos próximos do reino de Deus.
