Prepotência e Infalabilidade
Um traço de personalidade que sempre esteve na minha lista-negra é a prepotência. Tenho muita dificuldade em trabalhar com pessoas prepotentes. Infelizmente parece que elas abundam em quantidade.
O primeiro problema da prepotência é que ela parte de um princípio absolutamente improvável: que o possuidor da prepotência é mais apto, melhor, mais capacitado, mais conhecedor ou qualquer outro “mais” que se puder imaginar. Muitos prepotentes conseguem inclusive, ser “mais” e “melhores” em várias áreas simultaneamente - muitas vezes são em “todas” as áreas não só do conhecimento como também chegam nas habilidade físicas e artísticas - isso se não ultrapassarem até para o imaterial.
Isso me irrita profundamente. Um dos postulados mais básicos da filosofia já diz que, quanto mais se sabe, mais sabe-se que não se sabe nada ou, para evitar a repetição piegas, quanto mais conhecimento se adiquire, mais você aprende que ainda tem muito que aprender.
Recentemente tenho percebido que uma segunda característica da prepotência é tão ou mais danosa do que essa condição de “sabe-tudo”: os prepotentes acreditam que são infalíveis. Eles nunca erram. Ou, se erram, nunca é culpa deles. E tenho notado que essa característica nem sempre vem acompanhada do tradicional “sabe-tudo” da prepotência.
Devo ter sido educado de forma errada mas, para mim, errar faz parte do processo de aprender. Nenhum bebê simplesmente sai andando quando completa 9 meses de idade. É um processo: existe o engatinhar, muitas quedas, muitas tropeçadas… para, só depois de muito tempo, conseguir alcançar um estágio razoável de locomoção. Segundo o meu tutor do bem-estar físico, a grande maioria de nós inclusive, se desejar aprender a correr corretamente, errará muito até alcançar um nível razoável de novo.
Talvez por isso que a doutrina cristã me seja tão atraente. Grande parte dela se baseia no princípio do “pecado original” ou da nossa falibilidade natural e do consequente perdão. Somos simplesmente falhos e tendemos ao erro. Aprender a não errar é um processo contínuo de crescimento. Assim como o bebê que pára de tropeçar em determinado momento para andar melhor, também paramos de errar em determinado momento e nos tornamos pessoas melhores.
O ponto fundamental aqui, entretanto, é que, antes de mais nada, é preciso reconhecer o erro porém na nossa sociedade pós-moderna ainda existe aquele fantasma das eras anteriores onde “errar é ruim”. Isso produz várias pessoas que “não erram”: pessoas que possuem desculpas para todos os erros.
Como é raro ouvir de alguém um “eu errei, me desculpe”. Uma pena…
Eu ainda tenho muitas frases assim para falar.
