Responsabilidade? Pra quê?

Alguém certa vez me educou que o correto é assumirmos responsabilidades. Não sei ao certo quem foi o louco que fez isso comigo mas, com certeza, fez um bom trabalho.

Não consigo ler - sem me revoltar - afirmações como as publicadas na Folha de São Paulo deste Sábado.

Na primeira, Kennedy Alencar nos comunica evoluções sobre o combate à violência:

“Reunidos recentemente para tratar do combate à violência, os quatro governadores do Sudeste redigiram uma carta cobrando verbas do governo federal e tentando dividir responsabilidades.” (coluna completa)

Na segunda, as construturas se pronunciam sobre as causas do desmoramento nas obras da estação Pinheiros (sem nem ao menos existir qualquer estudo ou laudo técnico):

Em nota remetida à imprensa na tarde de sábado, o consórcio afirma que “as fortes chuvas das últimas semanas, que assolaram a capital paulista com grande intensidade e duração, levam a indícios de que teriam causado uma reação anômala e inesperada no maciço de terra em que se encontra a obra, provocando o seu repentino colapso e conseqüente desmoronamento.” (matéria inteira)

Essa nossa tendência de sempre culpar alguém, de sempre espalhar a responsabilidade ao invés de assumir o baque me dá asco.

Por que alguém não pode simplesmente assumir: “independente do governo Federal nós vamos resolver esse problema da violência assim, assim e assim?” Por que alguém não poderia simplesmente ser neutro e dizer: “os laudos sairão em X dias e aí sim poderemos determinar os responsáveis?”

Mas isso é muito complicado para nós. Mania de passar a batata quente sempre para alguém - de preferência alguém inatingível: “esse governo federal não libera verba mesmo, por isso que a violência está como está” - para que complicar tentando entender a multitude de razões porque chegamos onde chegamos? Da mesma forma: “vamos culpar as chuvas por estes desabamentos, afinal de contas, se quiser reclamar, reclame direto com Deus que mandou as chuvas”.

E eu vou ficando por aqui, torcendo para que uma tal entidade encatada chamada de “governo federal” libere alguma verba que vai resolver magicamente o problema de violência. Ademais, continuo esperando - com fé - que o clima do mundo se altere drásticamente e simplesmente páre de chover sobre todas as obras importantes da cidade.

Tiago Luchini · 14 Jan 2007 · filosofando