Purge

Recordo com bastante clareza da primeira vez que dei de encontro com a palavra “purge” no idioma Inglês. Do auge dos meus 12 anos ela não se parecia com nada que eu conhecia até então e o dicionário Inglês-Português pouco ajudou ao me indicar o termo “expurgar” como a melhor tradução. Vasculhei, pesquisei e acabei por entender o conceito tão preciso por trás da palavra: a idéia de podar o excedente, aparar as arestas, aprumar, expurgar o que não é desejável, reter o importante.

Nestes últimos dias fui incumbido de fazer com que todos os pertences acumulados em 7 anos pela minha família possam encaixar em apenas 6 malas de 32Kg cada. O desafio tem passado por um enorme esforço e exercíco de expurgar o supérfluo, de podar tudo aquilo que não é fundamental e fazer com que apenas aquilo que é realmente importante passe para o próximo estágio.

A tarefa é mais árdua do que parece à primeira vista. A quantidade de história que acumulamos em muitos papéis, fotos, livros, agendas e uma série de pequenos itens que vamos ajuntando pouco à pouco, sem perceber, é gigantesca. Em poucos anos, enchemos caixas e mais caixas de materiais que representam de forma muito colorida uma trajetória de vida única e especial.

Esse esforço hercúleo me fez lembrar de 2 Coríntios 5:17 quando Paulo nos faz olhar para o futuro com Cristo:

Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.

Muitas das lembranças embutidas nos materiais que estou expurgando são coisas velhas - memórias antigas - coisas que já se passaram. Muitas são boas. Outras, nem tanto. E, mesmo que todas façam parte fundamental da minha história pessoal, todas já se passaram e, em Cristo, tudo se renova para novos horizontes.

A cada registro físico do meu passado preciso responder à questões do tipo “quão aquilo é importante?”, “quão supérfluo?”, “posso expurgar isso da minha vida ou mantenho isso para o futuro?”, “será que vale manter esse peso?”

Meu maior desejo com todo esse processo de expurgo é que possamos, em família, renovar nosso compromisso pessoal com Cristo de modo que realmente abandonemos todas as coisas velhas que nos acompanham negativamente e possamos abraçar uma liberdade real e palpável com Cristo num cenário de renovo e purificação onde a experiência de ser “nova criatura” seja contundente.

Tiago Luchini · 14 Jan 2007 · filosofando