Bandidos de Jesus

No dia em que a prisão dos Bispos Estevam Hernandes e sua esposa Sônia Hernandes foi decretada eu tive a coincidência de estar navegando pelos canais da TV e dei de encontro com os dois realizando uma enorme pregação ao vivo.

Como tudo no nosso país, acho que ninguém notou o fato. Só eu talvez. O fato é que, continuei suportando a idéia de que, hora ou outra, eles simplesmente iriam se afastar das aparições públicas mas que continuariam pregando remotamente e seguindo a linha do “esse governo do demônio nos persegue”.

A Folha de SP anuncia hoje que, 12 dias após a prisão decretada, o bispo prega através de um rádio Nextel e que uma fiel afirma: “Ele [Estevam] fez isso sim. Falou para nós por meio de um rádio. A mídia inventa histórias mentirosas a seu respeito. Isso é coisa do demônio. Vocês não vão silenciá-lo”.

Como se dizia antigamente: se cada vez que prevesse alguma coisa eu ganhasse um centavo, estaria rico.

Vale lembrar a visão de Jesus para estes casos. Mateus nos lembra em seu livro (22:17-22) que os fariseus viviam enchendo Jesus de questões complicadas. Nesta situação vieram com:

Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar tributo a César, ou não?

A idéia era basicamente colocar Jesus numa situação delicada. Israel estava dominado pelos Romanos e estes colocavam uma dura carga tributária sobre aqueles. César reinava sobre Israel assim como nosso governo democrático reina sobre nós.

Um bom messias, um novo rei, libertador do povo de Israel com certeza seria contra os impostos de Roma. Jesus, neste caso, diria que não devemos apoiar o governo. Jesus era revolucionário, profeta, Deus na terra e esse negócio de acatar com as demandas do governo seria totalemente errado.

Ao mesmo tempo, acaso Jesus fosse contra Roma, teria que lidar com o incrível poderil militar que estes tinham ou ficaria com aquela postura subjugada de um falso rei que abaixa a cabeça servilmente para um povo infiel, pagão - para um governo pecador e errado (ou endemoniado como gostam de citar alguns).

Mas Jesus estava preparado:

Jesus, porém, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um denário. Perguntou-lhes ele: De quem é esta imagem e inscrição? Responderam: De César. Então lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. Ao ouvirem isso, ficaram admirados; e, deixando-o, se retiraram.

Para Jesus esta pegadinha não era problema nenhum. Segredo para isso? Simples, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Ele não precisava se enroscar com qual seria a melhor solução. O governo e Deus são facetas totalmente distintas da nossa vida. Deus requer nossas vidas enquanto o governo requer suas burocracias. Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.

Ter o seu nome listado no rol de “procurados” de César, ops, do governo é preocupante. Eu ficaria muito feliz se certos pregadores tão populares simplesmente se lembrassem de dar a César o que é de César.

Tiago Luchini · 17 Dec 2006 · spiritual