Neve, Rússia e Ski
O jornal de Helsinki hoje tinha uma charge caricaturando o papai-noel de forma desesperada com o fato de não estar nevando aqui na Lapônia. Realmente vir visitar o fim do mundo, ficar há poucos kilômetros do círculo polar ártico e não ver neve nessa época do ano é um milagre estatístico muito grande.
Até que enfim vi neve hoje. Uma neve meio forçada é claro. O Leandro e a Martta me levaram o Kuusamo, uma cidade ao nordeste da Finlândia que faz fronteira com a Rússia e fica realmente dentro da Lapônia (para os desavisados - o nordeste aqui é bem frio e não quente como no Brasil).
Cruzamos o país de carro numa viagem de 3 horas até uma espécie de Ski Resort muito bonito e moderno.
Já no caminho pudemos ver um pouco de neve na beira da estrada. Segundo os locais, nessa época do ano deveria ter muita, muita, muita neve e nevar constantemente. Agora já fazem a piada que eu sou tão pé-quente (literalmente) mas tão pé-quente que eu nunca devo visitar alguma geleira ou o efeito do aquecimento global vai se concretizar imediatamente.
Tive a agradável surpresa de conhecer as renas em seu habitat natural. Claro que tirei a foto de dentro do carro. Parece que só não são exatamentes as renas do bondoso velhinho do natal por uma questão de endereço - as reais ficam há alguns kilômetros ao Oeste em Rovaniemi.
Quando chegamos perto do Ski Resort (Raku) deu até uma alegria de ver a pista coberta de neve ao longe. Até mesmo pelo fato de que não via uma elevaçãozinha de terreno desde que cheguei aqui. Do alto da montanha dava para avistar a Rússia.
O lugar é muito interessante. Paramos numa estação para alugar o equipamento e conhecer as pistas. O processo para definir qual o melhor ski para você é bem interessante: totalmente baseado no seu peso, altura, tamanho do pé e nível de habilidade. Tudo controlado por computador - muito moderno. Também me impressionou a quantidade absurda de Britânicos na região.
Equipamento alugado, partimos para a demonstração de total falta de habilidade. Nesta foto estou em algum momento entre aprender o processo de subir no ski e o processo de equilíbrio sobre o ski. Ainda tinham muitas outras lições na sequência mas aparentemente eu fiquei um absolutamente travado já nesses primeiros passos.
Sim, eu sei que a descida para as crianças era baixinha mas parecia muito alta da perspectiva de alguém sobre um par de pranchas apoiadas no gelo. Se você me conhece bem não é preciso dizer que é claro que colidi com aquela casinha lá embaixo e que quase caí no lago congelado.
A primeira das aproximadamente 317 quedas que tive ao longo das 4 horas de ski. Nesta eu ainda precisava aprender como desarmar os skis dos pés antes de levantar. É óbvio que tentei levantar sem desarmar mas posso garantir que a tentiva foi humilhante.
Subir nesse teleférico foi fácil. Descer foi uma história bem diferente. Não só perdi o controle do ski como também derubei o Leandro que quase se estropia todo. Esse nunca mais vai me levar para esquiar. Principalmente depois que subimos juntos em outro teleférico mais simples (sem foto - ainda bem). Uma incrível falta de coordenação motora minha fez com que nós dois caíssemos do teleférico e tivéssemos que voltar todo o caminho uns 200m morro abaixo com neve na altura do joelho. Nada legal mas rimos muito.
Não só a Judit me humilhou na habilidade mas também uma legião de crianças na faixa dos 5 a 7 anos que desciam louca e habilmente. Ainda bem que Europeu tende a ser mais educado e poucas delas zombavam de mim - hehe.
A foto está muito escura mas se olhar com atenção vai perceber que infelizmente (ou felizmente aos olhos dos que entendiam do negócio) eu não pude voltar, 3 horas depois, de uma forma que possa ser chamada exatamente de triunfal.
Para concluir, uma sopinha bem quentinha dentro do restaurante aquecido com uma das descidas ao fundo. Foi um alívio tirar os skis apertados dos pés e sentir o sangue circular novamente.
