A Caminho da Finlândia e Cabelo Bom

Arranjei um cantinho meio improvisado aqui no Aeroporto Dulles em Washington DC para reportar sobre a primeira perna da viagem para a Finlândia. A viagem de SP para cá foi tranquila mesmo com alguns contratempos.

O vôo atrasou quase 3 horas para receber liberação do controle de tráfego aéreo brasileiro. Ficamos presos dentro da aeronave esse tempo todo. O capitão foi sábio e liberou os filmes para serem assistidos - pelo menos. Quando acabou o primeiro filme comecei a me preocupar que a demora talvez fosse longa demais.

Peguei um assento ruim: o assento central da fileira central. Normalmente este é pior assento pois você fica constantemente espremido pelos passageiros das duas pontas, não recebe serviço dos atendententes de nenhuma das fileiras e só pode levantar para esticar ou ir ao banheiro quando alguém decidir levantar também (ou ficar atasanando os passageiros dos lados de forma alternada). Já é a segunda vez que faço uma viagem longa com essa configuração - preciso marcar em algum lugar para lembrar de pedir um assento de corredor da próxima vez.

O indivíduo do meu lado esquerdo era um senhor americano muito tranquilo e quase não fez um pio. Já o indivíduo do lado oposto parecia ter saído de algum filme trash norte-americano. Era um americano lá pelos 30-40 anos, vestido com roupa de safari onde tinha bordado as bandeiras de cada país sulamericano que tinha visitado nas últimas 5 semanas. Aparentemente ele também não havia se preocupado muito com a higiene nessas últimas 5 semanas. Ele puxou conversa brevemente com várias pessoas ao redor - com certeza era alguém bem carente. Ele ficou fissurado num filme sobre futebol-americano e não tirou da tela a noite toda quando a sua atenção migrava alternadamente entre um pocket-book surrado e a micro-tela com o futebol-americano. Nos poucos momentos em que dormiu teve a péssima tendência de cair para o meu lado. Na verdade, quando estava acordado também tinha essa tendência grudenta tomando todo o braço do meu assento e alguns centímetros a mais.

Ademais, acredito que as refeições dos aviões estão sendo feitas com animais geneticamente alterados. Agora que todos os talheres são plásticos - luta contra o famigerado e invisível terrorismo - tenho notado que as carnes estão cada vez mais fáceis de cortar. Ou estão mudando a constituição das carnes ou deixando os talheres de plástico mais pontentes. Como a segunda opção seria controversa, acredito que comi alguma espécie de frango mutante.

A seleção de filmes estava boa e pude assisir 2 filmes que estavam na lista de desejos (The Ilusionist e The Lady of the Lake) e metade de uma comédia que preciso ver com a família depois (The Talladega Race).

Chegando em Dulles aqui em DC uma das malas que não aparecia no carrosel. Ela estava escondida em algum lugar atrás do mesmo. Depois peguei uma fila enorme para descobrir que era para aqueles passageiros que haviam perdido conexão. Detalhe sobre o aeroporto de Dulles: fora a arquitetura de concreto bem peculiar - é um aeroporto bem fraquinho. Muito pequeno e sem nada para fazer. Até para ligar o note tive que improvisar um banco num duto de ventilação (é o lugar mais perto de uma tomada). Estou vendo a hora que alguém vai me expulsar daqui.

Rede wireless? Nem pensar! Essas modernidades não chegaram aqui ainda! Almoçar aqui vai ser duro.

Como última e clarificadora descoberta: pude aprender como fazer para o meu cabelo ficar bom: é só dormir sentado durante uma noite inteira. Ele fica lindo. Vou tentar aplicar isso quando voltar para casa.

Fotos: só depois que conseguir carregar a câmera.

Tiago Luchini · 8 Dec 2006 · finland