Jogos Modernos e Cultura

Estava com a discussão de proliferação de jogos modernos de tabuleiro no Brasil em mente ontem à noite quando um amigo dos EUA me ligou. Falou que lembrou de mim semana passada quando foi para uma noite de jogos na casa de uns conhecidos. Quiz saber os detalhes, como era a galera, que jogos jogaram, etc. Ele comentou que o pessoal era muito “nerd” (olha aquela eterna discussão sobre a semântica e os símbolos línguísticos atrelados à palavra) e que jogaram uma partida de RISK (lembrando: parente do nosso WAR tupiniquim).

Esse tipo de situação - ou similares - é bem comum e me faz ficar com uma baita exclamação na cabeça. Os EUA tem um mercado muito maior do que o nosso. O público deles é gigantesco e com poder aquisitivo bem maior. Além disso eles possuem quase todos os jogos impressos em sua própria língua nativa e vendidos à preço de banana no seu próprio território (40USD é fortuna para nós mas é dinheiro de pinga - se tivesse pinga lá - para eles). Me questiono, até mesmo por ignorância: como que um mercado de jogos modernos tão grande e com tantos pilares para ser incrivelmente gigantesco, pode ainda estar gastando tempo com RISK e Monopoly?

Olhar para o que acontece nos EUA acredito ser importante se quisermos afetar o mercado aqui. Lá, mesmo com tantas variáveis à favor, os jogos modernos simplesmente engatinham. Aqui ainda temos poucas variáveis à favor (e 2007 promete pelo jeito) e teremos que encontrar alguma solução ainda não encontrada nem pelos americanos (minha humilde experiência diz que, quando encontrarmos isso, não valeria o trabalho de testar aqui e sim lá em terras yankees).

Essa introdução toda para afirmar aquilo que sempre vejo: a inserção dos jogos modernos numa determinada sociedade está proporcionalmente ligada à aceitação e abertura cultural da mesma. Na Alemanha o museu do brinquedo já era point mesmo antes da revloução dos jogos modernos e as famílias e amigos sempre pararam para jogar como tradição cultural. Era o país certo para essa onda nascer.

Em países mais para o novo mundo (leia-se nós, os americanos, os mexicanos e os argentinos… e mais alguns países menores) a cultura simplesmente não está adaptada. Ponto. O mais importante para nós fazermos com que 2037 (sim - mudar cultura demora) seja o ano do tabuleiro é minar a cultura devagarinho. Estamos no caminho certo: ainda bem.

Tiago Luchini · 29 Nov 2006 · filosofando