10 Maus Hábitos à Mesa

Não estamos falando de qual garfo deve-se utilizar para comer aquele peixe ao molho ou se devemos usar a mão esquerda ou direita na hora de levar a taça de vinho à boca. Não é esse tipo de mau (ou bom) hábito que estamos falando. O assunto aqui são os maus hábitos que alguns têm à mesa durante uma jogatina. Veja só:

  1. Tem sempre aquele indivíduo que não joga os dados. Ele os arremessa de um lado ao outro da mesa fazendo com que não apenas os dados saiam quicando pela sala como também tirando freqüentemente parte das peças do lugar, se escondendo embaixo de algum móvel pesado ou simplesmente sendo dragados para outra dimensão.

  2. Sempre aparece alguém que não gosta de ler as regras: “O quê? Tem mais de 5 parágrafos? Nem matando!”. Mas também não querem ouvir as regras antes de começar uma partida: querem aprender jogando (como se fosse possível aprender a pilotar um avião, simplesmente voando). Independentemente do seu esforço para explicar, essa alguém não vai ouvir nenhuma palavra do que você falar. É um bloqueio praticamente físico.

  3. Para estas pessoas que querem aprender a voar sem saber o que é um aileron - ops, querem jogar sem saber a diferença entre peões grandes e peões pequenos, sempre tem aquela regra “nova” (para quem não conhece - é claro) que é mencionada durante a partida e leva a uma onda de reclamações: “você tira as regras do bolso para se beneficiar!”

  4. Tem aquele que não arremesa os dados: praticamente coloca os dados em cima da mesa na posição que deseja. Para estes, vale criar a regra de altura mínima entre a mão e a mesa quando for jogar. Claro que aqueles que não estiverem cientes da regra vão argumentar que “você inventou a regra para se beneficiar!”

  5. Existem situações quando, antes de começar uma partida, você mostra o jogo todo animado e o indivíduo pergunta: “Tem que pensar? Se tiver que pensar eu não quero não!” - é de matar.

  6. Vira e mexe acontecem as brigas de namorados, ajuntados, casados e afins. Normalmente acontecem no meio do jogo e no ápice da partida. Tradicionalmente, os demais jogadores esperam parados até a situação acalmar. Em alguns casos a partida termina ali mesmo. Em outros, o próprio relacionamento termina ali mesmo.

  7. Uma das piores coisas é a síndrome do “não brinco mais”. É o que acontece quando o indivíduo apela para abandonar a partida geralmente com frases do tipo: “assim não dá para jogar”, “isso não vale” e “nunca ganho esse jogo” (vale lembrar que estamos falando de jogos adultos - ainda bem que são adultos - se fossem infantis teria que dar o dedinho para “ficar de mau”)

  8. Discussões sobre de interpretações de regras também tendem a ser chatas. Principalmente se desviarem para os sentidos semânticos das palavras sob uma ótica Junguiana ou para intermináveis comparações entre o manual em inglês, o suéco e até o sânscrito. Fora a multitude de FAQs para tirar “aquela” grande dúvida que até o designer do jogo ainda não tem a resposta.

  9. Tem aquela pessoa que insiste em jogar, apenas pra participar. Você tem aquele trabalhão todo pra explicar regras, explica que o jogo demora mais ou menos 1 hora, etc. - e, com 10 minutos de jogo, ela começa a reclamar: “O jogo demora demais”, “É complicado demais.”

  10. Termina a vez do jogador à esquerda. Olha-se para o próximo jogador, e ele está lá, super entretido no tabuleiro, com a maior cara de quem está pensando profundamente, analisando cada mínimo detalhe. Passam os minutos e o cara só pensando, absorto. Depois de um tempão, alguém grita: “Fulano, jogue logo, Xadrez é outro jogo”. Ao que o lerdo responde: “Ahn?! É a minha vez?”.

Agradecimentos ao Duda, Mário Lúcio e L. Claudius que deram a inspiração inicial para este artigo.

Tiago Luchini · 29 Nov 2006 · filosofando